Santuário das baleias é derrotado novamente

A adesão de mais três países à proposta brasileira de criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul não foi suficiente para garantir a aprovação da Comissão Internacional de Baleias (CIB), hoje, no Japão. Este ano, foram 23 votos a favor e 17 contra, quando, no ano passado, haviam sido 20 votos a favor e 13 contra, com 4 abstenções. Eram necessários ¾ dos votos para a proposta ser aprovada. Segundo informa um dos integrantes da comitiva brasileira, José Truda Palazzo, a Suíça, que se absteve no ano passado, Portugal e a República de San Marino foram os três novos votos favoráveis, ao lado daqueles que já haviam votado com o Brasil em 2001: África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Chile, Estados Unidos, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Índia, Itália, México, Mônaco, Nova Zelândia, Reino Unido, Suécia.O Ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, que foi pessoalmente defender o santuário, levando uma carta do presidente Fernando Henrique Cardoso, declarou que a proposta será mantida na pauta para votação nas próximas reuniões. O ministro ainda apresentou uma declaração da política nacional brasileira para os mamíferos marinhos, durante a discussão do santuário. O documento ficou registrado oficialmente na CIB e considera prioritário o uso não-letal das baleias, entendendo como um direito dos países em desenvolvimento, o turismo de observação e a pesquisa científica, que exclui a caça. Tal direito estaria sendo prejudicado pela caça promovida pelos países baleeiros, uma vez que as baleias visitam todos os oceanos e sua captura prejudica o uso não letal.Derrota parcialA proposta da Austrália e Nova Zelândia, de estabelecer um santuário no Pacífico Sul, também foi derrotada, pelo mesmo bloco de 17 votos liderados pelo Japão, com o qual votam os países do Caribe e África, beneficiados por financiamentos dos japoneses para reequipar seus portos e armazéns de pesca. Mas o Japão não obteve êxito ao tentar cancelar os dois santuários de baleias já existentes: da Antártica e do Oceano Índico. Até o fim da semana, a CIB ainda vota a manutenção ou não da moratória de caça à baleia, com forte pressão dos japoneses e noruegueses para sua suspensão. A moratória está em vigor desde 1985 e vem sendo burlada pelos japoneses através de cotas de caça para fins de ?pesquisa científica? de baleias das espécies minke, sei, Bryde e cachalote. As baleias ?pesquisadas? pelo Japão são enlatadas em navios fábrica, que acompanham os baleeiros e vendidas no mercado japonês. Organizações ambientalistas não-governamentais ? como o Greenpeace, a International Wildlife Coalition (IWC) e a Earth Island ? têm denunciado, inclusive, a venda de carne de golfinhos e outras baleias, mais ameaçadas, como se fossem destas quatro espécies. A troca é verificada através de testes de DNA.

Agencia Estado,

21 de maio de 2002 | 10h45

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