São Paulo adota consumo responsável

A adoção de uma política de consumo responsável pelo poder público, através de compras verdes e racionalização de consumo, é um dos maiores propulsores do desenvolvimento de produtos e serviços ambientalmente sustentáveis, graças ao volume de recursos que movimenta. Em qualquer lugar do planeta, são os governos nacionais ou locais que impulsionam a construção civil, a produção de alimentos e transportes, entre outros setores. Para demonstrar isso na prática, o município de São Paulo será uma das quatro cidades a participar de uma campanha do International Council for Local Environmental Initiatives (Iclei), organização não-governamental voltada para o desenvolvimento sustentável de cidades, para capacitar a administração pública em compras verdes.O projeto, que envolverá ainda as cidades de Bourdas (na Bulgária), Durban (África do Sul) e Naga City (Filipinas), foi apresentado hoje (26/3), por Christoph Erdmenger, diretor de Eco-eficiência do Iclei, durante o seminário Consumo Responsável, Gestão Sustentável, promovido pela Prefeitura de São Paulo. ?Somente na Europa, são gastos anualmente um trilhão de euros na aquisição de produtos e serviços pelo poder público, entre os quais 2,8 milhões de computadores por ano. Apenas a implantação de um sistema mais eficiente de isolamento nos prédios públicos da Alemanha, representaria uma economia de energia primária suficiente para abastecer 1,2 milhões de pessoas?, exemplificou.Além dos benefícios para a sociedade e o meio ambiente, governos que adotam esses princípio acabam por adquirir produtos de melhor qualidade e mais seguros, promovem a inovação tecnológica e conseguem economizar recursos. ?Embora algumas vezes os produtos verdes custem mais, normalmente têm maior durabilidade e eficiência e evitam gastos posteriores, como a disposição de resíduos?, analisa Erdmenger.São Paulo foi escolhida para a campanha por conta de um decreto municipal, de agosto do ano passado, que criou o Programa Municipal de Qualidade Ambiental, pelo qual a administração adota meditas para levar os critérios ambientais em todas as atividades municipais, desde as compras da prefeitura até a construção de prédios públicos. ?O programa, que envolverá a capacitação do pessoal encarregado de compras na prefeitura, entre outros setores, deve ter início no segundo semestre, com recursos do Fundo Ambiental Global (GEF, na sigla em inglês), e vai durar três anos?, disse Diana Segovia, gerente de Agenda 21 Local na América Latina e Caribe da organização.Adriano Diogo, secretário do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, disse que já existem várias iniciativas municipais voltadas para uma gestão sustentável, embora seja muito difícil fazer compras verdes. ?Um dos problemas é o Tribunal de Contas do Município, que ainda não aceita este tipo de critério nas licitações, que devem se pautar pelos menores custos. Esperamos que com a realização deste seminário, possamos contar com mais boa vontade na questão?. O secretário citou o exemplo de Piracicaba, que contratou a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP, para desenvolver um programa de merenda escolar baseada em cereais sem agrotóxicos. ?Infelizmente, não podemos introduzir os mesmos critérios em São Paulo. Conseguimos introduzir mais frutas e hortaliças, no lugar de produtos industrializados, mas reconhecemos as dificuldades para avançar mais?, conta.Um dos palestrantes do seminário, o prefeito de Johannesburgo, Amos Masondo, conta que sua cidade produz 65% do produto interno bruto (PIB) da África do Sul, mas precisa de políticas eficientes de combate à pobreza. Com esse objetivo, os programas ambientais envolvem, principalmente, a garantia de acesso mínimo à energia e à água, com uma cota mensal livre de custos para a população de baixa renda, que acabou resultando em diminuição da poluição, e projetos de eficiência energética, como a troca das luminárias públicas para reduzir o efeito estufa.Além de Masondo, representantes de várias cidades de todos os continentes, como Melbourne, na Austrália, e Heidelberg, na Alemanha, encontram-se em São Paulo, para a reunião executiva do Iclei, que será realizada amanhã. Fazem parte da organização 450 municípios, 30 deles na América Latina. No Brasil, além de São Paulo, fazem parte do Iclei, Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Goiânia, entre outras.

Agencia Estado,

26 de março de 2003 | 17h02

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