Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

São Paulo fica mais um ano sem inspeção veicular

Problemas com licitações, burocracia e disputa entre diferentes esferas governamentais impediram, até agora, que a inspeção veicular tenha sido efetivada tanto pela Prefeitura quanto pelo Estado em São Paulo, apesar do prazo estabelecido pela Resolução 256 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) ter vencido em junho do ano passado. Como resultado, os moradores da Região Metropolitana de São Paulo deverão conviver com a má qualidade do ar, pelo menos por mais um inverno.A inspeção nos cerca de 5 milhões de veículos da cidade de São Paulo, segundo o secretário municipal do Meio Ambiente, Adriano Diogo, deve começar no próximo ano. ?Tenho conversado diariamente com o governo estadual para que o convênio com a Secretaria Estadual de Segurança seja assinado e viabilize a exigência da inspeção para o licenciamento dos veículos. Já resolvemos todos os problemas e espero que tudo esteja definido até o final deste mês, para podermos aprontar a implantação no próximo ano?.O município de São Paulo, por ter uma frota acima de 3 milhões de veículos, é o único do Estado que poderá fazer a inspeção por conta própria. Nas demais cidades, a verificação será realizada pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). Também prometida para este ano, a inspeção estadual não foi implantada, segundo o secretário estadual do Meio Ambiente, José Goldemberg, porque a Procuradoria do Estado considerou que o sistema de concessões não poderia ser utilizado neste caso e prometeu resolver o problema através de contratos de prestação de serviço.O presidente da Cetesb, Rubens Lara, tem uma reunião marcada para quinta-feira, em Brasília, com o diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Ailton Brasiliense, para acertar detalhes da implantação e promete divulgar os detalhes até o fim da semana.Menos poluição Segundo Adriano Diogo, a inspeção veicular, que verifica a regulagem do motor e a presença de equipamentos como o catalisador, pode diminuir em 30% a poluição na cidade. Para se ter uma idéia do que isso significa, a Cetesb estima que apenas a redução do teor de álcool, de 25% para 20%, na gasolina distribuída no País deve representar um aumento da ordem de 6,5% nas emissões veiculares de monóxido de carbono (CO) na Região Metropolitana de São Paulo. A agência ambiental calcula que as emissões provenientes dos carros na RMSP representam mais de 70% do total de monóxido de carbono emitido. Embora nos últimos anos os níveis de CO - um dos parâmetros de proteção à saúde - tenham diminuído por conta das inovações tecnológicas nos veículos, sua presença ainda ultrapassa os padrões várias vezes durante o inverno, quando as condições de dispersão dos poluentes é desfavorável.Por isso, a regulagem dos motores é fundamental principalmente para os carros mais antigos, que não possuem catalisadores e correspondem a mais de 60% do total. ?Nossa frota é muito velha e o rodízio de trânsito agravou o problema, pois incentivou a classe média a adquirir um segundo carro, mais velho?, diz Diogo.O secretário acredita que a inspeção veicular ajudará a diminuir o número de carros velhos e a emissão de gases. Além disso, espera mostrar estatisticamente a existência desses ?segundos carros?. ?Se provarmos que a frota circulando não diminuiu com o rodízio, pretendemos até acabar com ele?.A Prefeitura quer implantar, também, o monitoramento dos veículos por medidores móveis nos principais corredores de tráfego, como as Marginais. Para tanto, o secretário pretende discutir com o governo federal a possibilidade de autuar também veículos de outros locais que trafeguem pelo município.

Agencia Estado,

12 de fevereiro de 2003 | 15h50

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.