São Paulo lança programa de restauração de matas ciliares

O secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, José Goldemberg, e o prefeito de Sumaré (SP), Antônio Dirceu Dalben, oficializaram, hoje, no horto Florestal de Sumaré, o programa de restauração das matas ciliares paulistas. Além de ter um projeto próprio, de plantio de 200 mil árvores nativas em áreas urbanas e nas margens do Ribeirão Quilombo, Sumaré abriga o piloto do programa estadual, cuja meta de longo prazo é eliminar o déficit de matas ciliares de São Paulo, estimado em um bilhão de hectares. A recomposição de toda esta área demanda pelo menos 2 bilhões de mudas. Os primeiros 15 hectares já foram plantados na microbacia do Córrego Taquara Branca, em Sumaré, com apoio do programa de microbacias da Secretaria Estadual de Agricultura e recursos da compensação ambiental do prolongamento da rodovia dos Bandeirantes, no valor aproximado de R$85 mil. A Secretaria do Meio Ambiente (SMA) agora negocia com o Fundo Ambiental Global (GEF), gerenciado pelo Banco Mundial, a doação de alguns milhões de dólares para impulsionar todo o programa, que também deve contar com investimentos do setor privado nacional. ?Um pequeno envolvimento dos empresários locais trará um grande benefício ao município, ao estado e à própria comunidade de negócios, neste caso, devido ao retorno em termos de imagem, sobretudo se o produto é de exportação?, diz Goldemberg, enfatizando a estratégia de adoção de trechos de mata ciliar, com a qual pretende envolver prefeituras municipais e empresários no Programa Mata Ciliar. Cada hectare de recomposição florestal poderá ser adotado por R$ 3 mil. ?Parece pouco reflorestar um ou 15 hectares, diante da necessidade de um milhão, mas, por maior que seja a distância, é preciso dar os primeiros passos?, acrescenta o secretário. ?E os benefícios não se restringem à recuperação da qualidade e quantidade da água, proteção à biodiversidade e controle da erosão, mas há um valor agregado neste programa, que é a absorção de carbono?.Mercado em formaçãoO Brasil emite, por ano, cerca de 70 milhões de toneladas de carbono, contribuindo para o aquecimento global da atmosfera. Deste total, São Paulo responde pela metade ou 35 milhões de toneladas. ?O reflorestamento de um milhão de hectares de matas ciliares absorveria, anualmente, 10% das emissões nacionais de carbono?, calcula Goldemberg. Ele pretende habilitar o Programa Mata Ciliar para a venda de créditos de carbono, com base no Protocolo de Kyoto e, para isso, sua equipe conta com o apoio técnico de pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), envolvidos nos ensaios mundiais preparatórios para o futuro mercado de carbono, que passará a funcionar quando o protocolo entrar em vigor.?O principal investimento necessário, neste momento, é na identificação de um cenário de referência para o Brasil, ou seja, saber de que situação estamos partindo para poder calcular a contribuição adicional de cada projeto, seja na geração de um estoque de carbono (caso do Programa Mata Ciliar), seja na redução de emissões?, pondera Warwick Manfrinato, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), um dos raros especialistas no cálculo da absorção de carbono por florestas tropicais. Ele explica, que os termos do Protocolo de Kyoto já foram detalhados num sistema operacional para o mercado de carbono, acertado em Marrakesh, em 2001, mas ainda faltam leis nacionais para a efetiva habilitação de projetos no mercado de créditos de carbono e definições quanto aos cenários de referência. Um caminho, que o secretário pretende abrir, com a implantação do Programa Mata Ciliar.

Agencia Estado,

17 de junho de 2003 | 15h27

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