São Paulo quer saber como estão suas cavernas

São Paulo vai fazer um diagnóstico de suas cavernas e discutir seu futuro. Para monitorar e controlar as mais de 400 cavernas existentes no Estado, impedindo que o patrimônio espeleológico sofra danos ambientais, um debate público está programado para o fim do mês. O debate terá a participação de espeleólogos, cientistas, pesquisadores, ecoturistas, estudantes e representantes de municípios, governos (estadual e federal), universidades, organizações não-governamentais (ONGs) e associações de monitores, entre outros. "O acesso às cavernas deve ser criterioso e consciencioso", diz o gerente-executivo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em São Paulo, Wilson Lima. Todo o patrimônio espeleológico de São Paulo é controlado pelo Centro Nacional de Estudo, Manejo e Proteção de Cavernas (Cecav), com sede em Ribeirão Preto. O levantamento das cavernas - 412 por enquanto - é feito pelo coordenador estadual do Cecav, Fernando Scavassin, que troca informações com a Sociedade Brasileira de Espeleologia, em Campinas. "Nessa reunião, em São Paulo, vamos fazer um diagnóstico das cavernas." "Precisamos pensar o patrimônio espeleológico", acrescenta Lima, que pretende, entre outros assuntos, conhecer os projetos de licitação pública no Estado para a exploração do turismo e de pesquisas licenciadas em cavernas. "Precisamos ter respostas mais rápidas e imediatas." Para Scavassin, os participantes da reunião discutirão a busca de recursos financeiros para o setor, além da montagem de equipes interinstitucionais e multidisciplinares de ajuda mútua. Com o diagnóstico do problema, o setor poderá criar suas formas de ação e cooperação para tentar dominar a situação. "A natureza gasta milhões de anos para chegar a determinado ponto e não podemos deixar que isso seja tratado de maneira inadvertida. É preciso ter visitação criteriosa e monitorada", afirma Lima. "Não podemos deixar que os turistas levem pedaços retirados das cavernas como lembranças, que demoraram mais de cem anos para se constituir." Ele destaca que é fundamental colocar as cavernas na pauta de preocupações e não relegá-las a segundo plano. Os "pedaços" citados por Lima são os espeleotemas, ou a formação de calcário (extremidades pontiagudas). Peixe - Lima lembra, ainda, da preocupação com a fauna das cavernas, como o bagre-cego, uma espécie endêmica (só encontrada num lugar) - um peixe que passou por várias mutações genéticas e é cego, vivendo apenas em ambiente escuro, dentro de cavernas. O bagre-cego pode ser encontrado, por exemplo, na Caverna do Diabo, em Eldorado, no Vale do Ribeira, região que tem mais de 250 cavernas das 412 do Estado. A Caverna do Diabo, segundo Scavassin, tem cerca de 6 quilômetros, mas apenas um quilômetro está aberto para visitação pública - os demais estão sendo explorados por espeleólogos. Além da Caverna do Diabo, o Estado, um dos maiores patrimônios espeleológicos do mundo, tem outras cavernas de destaque, como a Santana e o Pórtico da Gruta da Casa de Pedra, ambas em Iporanga, e a Gruta Itambé, em Altinópolis. O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar), órgão da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, controla as cavernas do Vale do Ribeira. No Brasil existem mais de 3.200 cavernas cadastradas pela Sociedade Brasileira de Espeleologia.

Agencia Estado,

04 de outubro de 2002 | 09h02

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