São Paulo tem pelo menos 220 áreas contaminadas

Problemas decorrentes da disposição inadequada de produtos tóxicos, no Estado de São Paulo, têm sido divulgados, constantemente, sobretudo nos dois últimos anos, quando casos de contaminação do solo, água, vegetação, animais e moradores tiveram bastante repercussão. Responsável pela identificação e monitoramento desse tipo de risco ambiental, a Companhia de Tecnologia em Saneamento Ambiental (Cetesb) trabalha, desde 1993, no levantamento dessas áreas, muitas das quais consideradas "passivos ambientais" de indústrias instaladas numa época em que a legislação não era tão rigorosa. Apesar de antigas, muitas dessas áreas ainda oferecem riscos, já que os produtos são de alta persistência no meio ambiente.A lista oficial atualmente conta com 220 casos confirmados de contaminação, segundo o secretário do Meio Ambiente, José Goldemberg. Mas nunca foi divulgada em sua totalidade, a despeito das constantes e insistentes solicitações da imprensa e de entidades ambientalistas, ao ex-secretário Ricardo Trípoli. Alegando o risco de pânico na população do entorno desses locais ou de desvalorização dos imóveis, a equipe da Cetesb ainda responsável pelo levantamento tem apenas confirmado a contaminação, nos casos que ganham publicidade, através de grandes denúncias ou reportagens. Em meio ao processo de indignação, que se seguiu à divulgação de um desses casos, envolvendo o Condomínio Barão de Mauá, na Região Metropolitana de São Paulo, a Cetesb acabou entregando parte da lista à imprensa, em agosto do ano passado, com 98 áreas contaminadas. Essa relação, porém, é tão incompleta, que não traz nem os casos recentes mais conhecidos, como os da Shell, em Paulínia e na Vila Carioca (São Paulo), e o da Ajax, em Bauru.Acreditando que a população tem o direito à informações diretamente relacionadas a sua saúde e qualidade de vida, a Agência Estado reúne todos os dados disponíveis no especial Zonas de Risco, baseando-se tanto nesta lista da Cetesb, quando em casos conhecidos através de denúncias e notícias veiculadas na imprensa. O objetivo é ter um painel da situação da contaminação no Estado e fazer valer, para os moradores dessas áreas, o direito de saber, para que possam adotar medidas preventivas e evitar os possíveis danos de uma contaminação. O especial traz, ainda, um espaço para comentários sobre os casos e novas denúncias.A Secretaria do Meio Ambiente promete divulgar a lista com as 220 áreas contaminadas no Estado dentro de algumas semanas. Segundo Goldemberg, os técnicos da Cetesb estão complementando as informações, "para que a relação saia não só com a localização, mas com maiores informações sobre o problema".

Agencia Estado,

02 de maio de 2002 | 16h32

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