São Paulo terá loja de madeira certificada

Uma das empresas integrantes do Grupo de Compradores de Produtos Florestais Certificados inaugura, nesta quinta-feira, 16 de janeiro, em São Paulo, a primeira loja da América Latina de madeira natural da Amazônia, com certificação de origem e de extração racional. A loja vai se chamar Ecoleo e pertence ao grupo Leo Madeiras, que existe desde 1943 e tem 28 lojas nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. A certificação é do Conselho de Manejo Florestal (Forest Stewardship Council ou FSC) e inclui padrões sociais e econômicos de sustentabilidade, além dos ambientais. O objetivo da nova loja é facilitar as transações com pequenas quantidades de madeira para consumidores mais conscientes do setor moveleiro, como arquitetos, designers e artesãos, que até então precisavam ir buscar o produto certificado na Amazônia ou trabalhar sob encomenda. ?Ao apostar neste segmento, uma empresa grande como a Leo Madeiras mostra que este é um mercado promissor e oferece uma opção ao consumidor paulista, que quer ter uma janela ou uma mesa feita com madeira certificada?, diz Garo Batmanian, representante do WWF-Brasil na Câmara Ambiental do FSC. ?E é importante ressaltar que a empresa, Leo Madeiras, tem o certificado de cadeia de custódia, quer dizer, ela tem como garantir a seus consumidores a origem da madeira que vende, porque toda a cadeia é monitorada até a retirada da matéria prima, feita de forma ambientalmente correta?.?Optamos, neste momento, por trabalhar com uma cadeia de custódia não exclusiva, porque ainda não temos fornecedores suficientes para garantir 100% de madeira certificada em nossa loja?, esclarece José Luiz Lopes Pinto, responsável pelo projeto de implantação da Ecoleo. ?Mas o objetivo é chegar a vender exclusivamente madeira certificada?. Segundo ele, hoje, cerca de 80% do estoque tem selo verde. São 15 espécies amazônicas diferentes, incluindo madeiras de lei de terra firme, como cedro, sucupira e cumaru, e chapas e laminados de amapá, louro vermelho e curupixá, além dos produtos industrializados de grandes empresas, com madeira de reflorestamentos, também com certificação. O investimento na nova loja foi de R$ 500 mil, com expectativa de retorno em dois anos. Atualmente a empresa tem uma participação de cerca de 40% do mercado paulista de madeiras para móveis e marcenaria. A decisão de entrar para o Grupo dos Compradores de Produtos Florestais Certificados, em setembro de 2002, faz parte de uma estratégia de desenvolvimento do nicho de mercado de madeira certificada. ?Queremos mostrar que a venda de madeira extraída da forma ambientalmente correta pode ser economicamente viável?, acrescenta Lopes Pinto. Para ele, o mercado ainda é muito novo e o trabalho de divulgação deve incluir esclarecimentos sobre o diferencial de preço do produto certificado. Em média, a madeira com selo verde custa 20% mais caro do que o produto clandestino ou irregular. ?O consumidor precisa saber que não está pagando a mais apenas por um selo verde?, afirma. ?Está pagando por um processo controlado, documentado, que envolve a extração não predatória, feita por trabalhadores registrados em carteira, com equipamentos de segurança, sobre a qual incide tributação?.Serviço: A nova loja da Leo Madeiras fica na Rua Ferreira de Araújo, 980, Pinheiros, tel.: 3812 3422. A empresa também tem um site: www.leomadeiras.com.br

Agencia Estado,

14 de janeiro de 2003 | 11h51

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