São Paulo terá primeiro parque tecnológico do Brasil

A cidade de São Paulo terá em nove meses o primeiro parque tecnológico brasileiro, o São Paulo Parq Tec, a ser construído dentro da Cidade Universitária, que abriga a Universidade de São Paulo (USP). Nele serão investidos R$ 1,3 milhão pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência de fomento do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), e mais R$ 1,3 milhão pela Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo de São Paulo. Ainda haverá mais R$ 400 mil vindos de um grupo de investimento paulista, cujo nome ainda não pode ser revelado. A construção do parque será iniciada em 60 dias. Ele ficará instalado dentro do complexo do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), numa área de 20 mil metros quadrados. O espaço poderá abrigar até 40 módulos empresariais, cada um com 100 metros quadrados. ?O parque abrigará empresas que estão no segundo estágio, saindo das incubadoras, ou de novas empresas, de forma que continuem próximas da Cidade Universitária?, disse Edson Roman, diretor administrativo do Ipen e membro do conselho executivo do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec). O Cietec é um dos principais pólos incubadores do País e participa da organização do parque tecnológico, mobilizando entidades ? governo, universidade, institutos de pesquisa e empresas. Podem participar do parque tecnológico outras incubadoras, empresas de base tecnológica de pequeno e médio portes, empresas de cadeias produtivas de grandes companhias, centros de pesquisa e desenvolvimento de empresas, empresas de software, organizações de capital de risco, de ensino e treinamento. O parque terá um Condomínio Empresarial, um Centro de Modernização Empresarial e centros de pesquisa e desenvolvimento cooperativos. De acordo com Roman, há algumas iniciativas de formação de parque tecnológico no País, mas nenhuma está em estágio avançado como o paulista.O Condomínio Empresarial será formado por empresas graduadas pelo Cietec, por outras incubadoras tecnológicas ou ainda por empresas já existentes que se interessem por estar no parque. Elas pagaram uma taxa mensal de condomínio, uma espécie de aluguel, cuja verba mantém a estrutura do local ? serviços como limpeza, telefonia, Internet. A empresa terá um prazo para ficar abrigada dentro do condomínio, antes de se lançar no mercado.O Centro de Modernização oferecerá serviços para as empresas instaladas no parque nas áreas ligadas a administração, como gestão e integração empresarial, gestão da qualidade e ambiental, inovação, produtividade, propriedade intelectual, políticas governamentais e fontes de financiamento, contratação e comercialização. ?Será a porta de entrada das pequenas e médias empresas no São Paulo Parq Tec?, disse. Já os Centros de Pesquisa Cooperativa serão módulos a serem usados por tempo determinado por projetos feitos em parceria entre as incubadas, universidades, centros de pesquisa e empresas externas ao parque de vários portes e áreas. ?Para esse centro funcionar, precisamos ter a Lei de Inovação aprovada?, disse. Entre outras mudanças, a lei permite que pesquisadores possam trabalhar em projetos cooperativos com universidades, assegurando a eles uma estabilidade na vaga de pesquisador na instituição de ensino e reconhece os projetos cooperativos como pontos na avaliação de perfomance do pesquisador, levados em conta na concessão de bolsas para pesquisa. O projeto de lei deverá ser enviado para votação no Congresso pelo MCT. Numa etapa posterior, o São Paulo Parq Tec deverá ser ampliado para fora do prédio na USP. ?Nossa idéia é fazer um cluster no entorno da Cidade Universitária. Vamos estudar as áreas onde há galpões vazios?, afirmou. Uma das áreas que poderá abrigar empresas formadoras do cluster pode ser o Ceagesp, cujo terreno é do governo federal e foi doado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), agência do governo estadual que financia pesquisas científicas e tecnológicas. Com o parque tecnológico paulista, pretende-se estimular e apoiar a criação de empresas inovadoras, promover a inovação nas empresas já existentes, estimular a inserção das micro e pequenas empresas na exportação, via inovação de produtos e processos para conquista de novos mercados. Os organizadores querem também ampliar a criação de fundos de capital de risco para investimento em empreendimentos de base tecnológica, estimular a implantação de centros de pesquisa e desenvolvimento em espaços da Cidade Universitária que possam ser usados em projetos de parceria com empresas, entre outros. Segundo Roman, as eleições não deverão afetar os planos para construção do parque. ?Ciência e tecnologia está no discurso de todos os candidatos à Presidência e ao governo do Estado, foi algo colocado em primeiro plano. Temos a impressão de que qualquer dos candidatos que seja eleito vai dar apoio ao nosso projeto?, opinou.

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