Saramago chama Igreja de 'reacionária' e Bento XVI de 'cínico'

'As insolências reacionárias da Igreja Católica precisam ser combatidas', conclamou o ganhador do Nobel de 98

EFE,

14 Outubro 2009 | 16h20

O escritor português e Nobel de Literatura (1998) José Saramago chamou o papa Bento XVI de "cínico" e disse que a "insolência reacionária" da Igreja precisa ser combatida com a "insolência da inteligência viva".

 

"Que Ratzinger tenha a coragem de invocar Deus para reforçar seu neomedievalismo universal, um Deus que ele jamais viu, com o qual nunca se sentou para tomar um café, mostra apenas o absoluto cinismo intelectual" desta pessoa, disse Saramago em um colóquio com o filósofo italiano Paolo Flores D'Arcais, que hoje lança Il Fatto Quotidiano.

 

Saramago, por sua vez, encontra-se na capital italiana para divulgar o livro O Caderno e se reunir com amigos italianos, como a vencedora do Nobel de Medicina Rita Levi Montalcini (1986).

 

No colóquio com Flores D'Arcais, Saramago afirmou que sempre foi um ateu "tranquilo", mas que agora está mudando de ideia.

 

"As insolências reacionárias da Igreja Católica precisam ser combatidas com a insolência da inteligência viva, do bom senso, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias por supostos representantes de Deus na Terra, os quais, na verdade, só têm interesse no poder", afirmou.

 

Segundo Saramago, a Igreja não se importa com o destino das almas e sempre buscou o controle de seus corpos.

 

Perguntado se o pouco compromisso dos escritores e intelectuais poderia ser uma das causas da crise da democracia, o escritor disse que sim. Porém, disse que este não seria o único motivo, já que toda a sociedade encontra-se nesta condição, o que provoca uma crise de autoridade, da família, dos costumes, uma crise moral em geral.

 

Saramago destacou que o fascismo está crescendo na Europa e mostrou-se convencido de que, nos próximos anos, ele "atacará com força". Por isso, ressaltou, "temos que nos preparar para enfrentar o ódio e a sede de vingança que os fascistas estão alimentando".

 

A visita de Saramago a Roma acontece a um dia do lançamento do seu mais novo livro Caim, no qual volta a tratar da religião.

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