Sarney Filho consolidou um ministério multidisciplinar

As últimas medidas de José Sarney Filho como ministro do Meio Ambiente do governo Fernando Henrique Cardoso, neste fim de tarde de segunda-feira, refletem a preocupação em manter uma agenda múltipla, que caracterizou os três anos de sua gestão. Depois de assinar a criação de unidades de conservação, em algumas áreas confiscadas de grileiros pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), ele participa do lançamento de um portal na Internet, com diretrizes para o Zoneamento Econômico Ecológico da Amazônia."Não conseguimos executar o ZEE, porque tivemos problemas com verbas e dificuldades iniciais na coordenação, mas estamos com 95% de consenso em torno da metodologia e consideramos este um processo irreversível dentro do Governo Federal", comentou Sarney Filho.A inclusão do ZEE da Amazônia na pauta do Ministério do Meio Ambiente (MMA) foi uma das frentes de engajamento pessoal do ministro, claramente suprapartidárias. Ele também esteve à frente do processo de discussão em torno do Código Florestal, em meio à qual enfrentou oposição do próprio partido e forte reação dos ruralistas, mantendo o apoio dos ambientalistas, e marcou posição na polêmica acerca dos impactos ambientais dos trangênicos, divergindo do ministérios da Agricultura e Ciência e Tecnologia.O MMA ainda não participa da formulação das políticas governamentais de desenvolvimento, mas conquistou diversos assentos em conselhos interministeriais, inserindo a preocupação ambiental em novas instâncias. A aproximação com o MDA e a mudança de atitude em relação a reservas florestais em áreas de assentamento para fins de reforma agrária é um dos melhores exemplos.Na estruturação interna do ministério, destacam-se o saneamento dos órgãos de fiscalização, a modernização de programas de combate a incêndios dentro de unidades de conservação e a criação de novos instrumentos para conservação e manejo de áreas intactas ou habitadas por comunidades tradicionais, além de políticas de recursos hídricos, lixo, poluentes. "Deixo o governo com um ministério consolidado, onde não se trabalhou apenas a agenda verde (desmatamento, preservação de florestas e espécies), como quando assumi, mas também uma agenda azul (recursos hídricos) e marrom (questões urbanas e desenvolvimento sustentável)", acrescentou. "Orgulho-me de ter tirado o Brasil do paredão internacional das ongs, onde ele figurava como vilão ambiental, transformando-o em um protagonista do desenvolvimento sustentável", disse o ministro. O Brasil conquistou elogios em publicações internacionais, como a Science, e conseguiu chamar a atenção com agendas positivas. Também obteve o reconhecimento de órgãos como a Unesco, que passou de 1 para 6 os Sítios do Patrimônio Natural Mundial, localizados no país. "No início do meu mandato tínhamos apenas um sítio (o Parque Nacional do Iguaçu) ameaçado por uma estrada. Fechamos a estrada, tiramos o Iguaçu da lista de sítios ameaçados e conseguimos o reconhecimento de 5 outras áreas".As manifestações de apoio de organizações não-governamentais (ONGs) e das mais diversas personalidades, demonstram que Sarney Filho alcançou um bom nível de relacionamento com a sociedade civil. Um relacionamento que ele pretende manter no Legislativo, para onde volta com o compromisso de manter a defesa do meio ambiente: "Este é um compromisso para a vida".

Agencia Estado,

04 de março de 2002 | 15h52

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