Satélite consegue medir umidade da Floresta Amazônica

Cientistas americanos podem ter desenvolvido uma importante ferramenta para medir, a partir do espaço, o estado de saúde da floresta amazônica. Pela primeira vez, conseguiram calcular via satélite as condições de vulnerabilidade ao fogo (stress hídrico) e absorção de gás carbônico ? parâmetros que até agora só podiam ser medidos localmente, por sensores em terra.O estudo, publicado na revista PNAS, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, abre caminho para um processo de monitoramento em larga escala das condições hídricas da floresta. O sistema utiliza um satélite da Nasa para medir a radiação que é refletida de volta ao espaço pela vegetação.Com base nesses dados, os cientistas criaram um modelo pelo qual é possível estimar a quantidade de água que está presente nas folhas ? o que influi diretamente sobre a fotossíntese e, conseqüentemente, sobre a quantidade de gás carbônico que a floresta pode absorver. ?Podemos mapear a produtividade da floresta?, disse ao Estado o pesquisador Dan Nepstad, do Woods Hole Research Center, nos EUA, e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), no Pará.Os autores buscam pistas sobre a maior incógnita climática da Amazônia: se ela funciona como um sumidouro ou como uma fonte de carbono. ?Se cada hectare da Amazônia deixasse de absorver uma tonelada de carbono, isso já seria suficiente para anular qualquer benefício em potencial do Protocolo de Kyoto?, avaliou Nepstad.O trabalho faz parte do projeto internacional LBA e utiliza dados do projeto SECA Floresta, no qual os cientistas simulam condições de stress hídrico cobrindo o solo com plástico. Além das informações sobre carbono, o sistema via satélite permite determinar a suscetibilidade da vegetação ao fogo e pode, portanto, servir para a prevenção a incêndios, aponta Nepstad. O autor principal do estudo é Gregory Asner, da Instituição Carnegie de Washington.

Agencia Estado,

06 de abril de 2004 | 13h12

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