Satélite detecta fundo cósmico de neutrinos após o Big Bang

A grande quantidade de neutrinos no universo primordial deixou uma marca no fundo cósmico de microondas

Da Redação,

07 de março de 2008 | 19h56

Dados divulgados pela Nasa nesta semana confirmam, pela primeira vez, que o universo primordial estava imerso em um oceano de neutrinos, partículas sem carga elétrica, dotadas de uma massa minúscula e cuja existência só foi confirmada na segunda metade do século passado.   O mapa feito pelo WMAP. As cores correspondem a diferenças de temperatura. Nasa   A assinatura dos neutrinos foi descoberta em cinco anos de dados coletados pelo satélite Wilkinson Microwave Anisotropy Probe (WMAP). Essa satélite faz leituras do fundo cósmico de microondas, uma radiação que representa os vestígios da primeira luz emitida quando a expansão do universo finalmente permitiu que as partículas de luz, os fótons, viajassem desimpedidas. Isso ocorreu quando o universo tinha 380 milhões de  anos de  idade. A idade atual é estimada em cerca de 14 bilhões. Hoje, essa luz preenche o espaço sob a forma de microondas.   Mapas desse fundo de microondas, que registram pequenas variações na intensidade da radiação, permitem aos cientistas deduzir as condições no universo primitivo. Esses mapas sugerem que, na época da formação do fundo de microondas, os neutrinos eram 10% do universo, átomos 12%, a chamada matéria escura, 63%, fótons 15% e quase não havia a energia escura, que atualmente acelera a expansão do espaço.   Em contraste, atualmente a composição do universo é de 4,6% de átomos, 23% de matéria escura, 72% de energia escura e menos de 1% de neutrinos.   A grande quantidade de neutrinos no universo primordial deixou uma marca no fundo de microondas medido pelo WMAP, e é essa marca que foi detectada agora. Segundo pesquisadores envolvidos na análise dos dados, é possível deduzir, com 99,5% de confiança, a existência do fundo cósmico de neutrinos.   A teoria já previa esse fundo, ao propor que o universo primitivo era uma fornalha nuclear produtora de átomos de hélio - neutrinos são liberados nesse processo.   Outra grande descoberta vem do fato de os dados do WMAP imporem uma série de condições estritas para o chamado "período inflacionário" do universo, durante o qual, acredita-se, o espaço teve um crescimento espantoso. Os novos dados permitem eliminar algumas versões da teoria inflacionária.

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