Satélite mapeia áreas de maior risco de malária

As equipes brasileiras que tentam controlar a expansão da malária, doença que atinge cerca de 500 milhões e mata entre 2 milhões e 3 milhões de pessoas no mundo todos os anos, têm agora um novo aliado: imagens de satélites.Com elas, a pesquisadora Cíntia Honório Vasconcelos, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), desenvolveu um método de elaborar mapas que apontam os locais de maior risco de ocorrência da doença.Partindo do que já se sabe sobre os ambientes e condições climáticas mais propícias à incidência da malária e com dados de campo de onde efetivamente havia sido registrada a doença, Cíntia testou seu método com sucesso, em três municípios do Pará - Tucuruí, Novo Repartimento e Jacundá - próximos ao reservatório da hidrelétrica de Tucuruí."No futuro isso poderá ser usado para fazer mapas de riscos de outras doenças, como leishmaniose e dengue", diz Cíntia. "Quando a ecologia dos mosquitos e a relação deles com o ambiente e a população humana forem bem conhecidas", acrescenta.ParâmetrosÉ o que ocorre com a malária. É sabido que alguns parâmetros, como uso do solo (desmatamento), distância de reservatórios de água, das estradas, dos bancos de macrófitas (plantas aquáticas que servem de criadouros de mosquitos do gênero Anopheles, transmissor da malária) e quantidade de chuvas, têm relação com a incidência da doença.Cíntia gerou mapas com esses parâmetros, usando dados de dois satélites, um que fornece imagens fotográficas e outro de radar.O segundo passo foi cruzar esses dados com a distribuição da população e os números de casos de malária efetivamente registrados numa série histórica de 1996 a 2001, que serviram como teste para a eficiência dos mapas. Eles se mostraram capazes de apontar as áreas de risco."Em Jacundá, por exemplo, 60% das áreas onde houve de fato alta incidência de malária foram apontadas como de risco pelos mapas", conta Cíntia.Outras regiõesAlguém pode perguntar: para que servem os mapas se já se sabia onde havia ocorrido a malária? Nesse caso, apenas para testar sua eficiência em apontar áreas de risco. Mas daqui para a frente eles poderão ser usados em outras regiões, onde não há registros da doença, para saber se aquela é uma área de risco, onde poderá vir a ocorrer alta incidência da malária.O trabalho de Cíntia, que virou tese de doutorado, defendida na Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, também mostrou que a área de risco aumentou na região estudada, por causa do desmatamento, de 83,75 quilômetros quadrados em 1996 para 161 quilômetros quadrados em 2001."Isso ocorreu, principalmente por causa da abertura de novas estradas e da expansão da mancha urbana", explica Cíntia.Ela também mostrou que nos meses de seca - no meio do ano - a incidência da malária é maior da região de Tucuruí. Isso ocorre porque as comportas do reservatório são fechadas e o lago atinge o seu nível máximo, facilitando a proliferação dos mosquitos transmissores da doença.

Agencia Estado,

01 de junho de 2004 | 11h23

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