Scola usa parábola do filho pródigo em tom de campanha

Homilia foi interpretada como um esforço para mostrar que vai perdoar diferenças e trabalhar pela união da Cúria

Jamil Chade, enviado especial de O Estado de S. Paulo,

10 Março 2013 | 22h27

CIDADE DO VATICANO - O cardeal Angelo Scola transforma de modo sutil o altar em um palanque, alerta para "os momentos de aflição" da Igreja e não esconde que está em campanha. Ontem, ao celebrar sua última missa antes do conclave, o italiano, considerado um dos principais nomes para suceder a Bento XVI, usou sua homilia para indicar que, se eleito, está disposto a estender sua mão aos "pecadores" da Igreja, em um sinal de que vai atuar de forma diplomática, sem caça às bruxas.

 

A mensagem seria um esforço de convencer diferentes alas do Vaticano que Scola vai trabalhar pela união da Cúria, perdoando eventuais grupos que estejam no centro das polêmicas, para fortalecer a Igreja marcada por uma profunda divisão entre cardeais.

 

Usando a parábola do filho pródigo, Scola confirmou seu caráter diplomático e de mediador, num claro esforço de atrair votos de diferentes grupos. Ele lembrou que pecadores se aproximaram de Jesus, que os perdoou e os "reconduziu ao caminho certo". "A reconciliação com Deus é a missão da Igreja", disse, indicando que esse é um desafio no novo milênio. Segundo ele, ao promover esse perdão, a Igreja estaria passando "da angústia à felicidade".

 

Apontou para a necessidade de se conhecer a justiça de Deus, em outro sinal de que não iria aplicar a justiça dos homens contra eventuais grupos.

 

O cardeal pediu aos demais eleitores que participem do conclave de "forma responsável" e que se "interroguem sobre o melhor caminho para a Igreja". "A missão da Igreja é a de proclamar a misericórdia de Deus, mesmo ao homem sofisticado do novo milênio, mesmo em tempos de aflição", declarou na Basílica dos 12 Santos Apóstolos.

 

Scola viveu um dia de candidato. Antes da missa, posou longamente para fotos. Não faltaram deputados e autoridades locais, literalmente para beijar a mão do cardeal. Ao percorrer o corredor central, Scola mantinha sua postura de candidato, apertando a mão de fiéis, distribuindo sorrisos. Dentro da sacristia, os próprios funcionários da basílica e sacerdotes aproveitavam para fazer tietagem, pedindo para tirar fotos ao lado do candidato.

 

Ao terminar, saiu para abençoar os jornalistas que o aguardavam na porta da sacristia. "O padre me disse para vir aqui abençoar vocês", disse, rindo. Ao deixar o local por uma porta lateral, mantinha a janela do carro aberta, deixando-se filmar com seus intensos olhos azuis.

 

Amanhã, no primeiro dia do conclave, a primeira votação promete ser crítica para suas ambições. Se despontar com um número importante de votos, poderá acabar convencendo outros cardeais italianos a segui-lo.

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