Seca multiplica índices de queimadas

No espaço de uma semana, o número de queimadas detectadas pelo satélite NOAA-12, em todo o país, pulou de 4.928 para 12.910 ! O primeiro índice corresponde ao período de 1 a 7 de agosto e o segundo, de 8 a 14. Se comparado ao mesmo período, no ano passado, o número desta última semana é 73% maior. Os focos se concentram no Brasil Central, onde a seca de inverno é mais pronunciada do que o normal e favorece a propagação das frentes de fogo. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás têm diversas regiões com grande quantidade de focos. Um pouco mais ao norte, no chamado Arco do Desflorestamento da Amazônia, também cresce onúmero de registros. É nítida, por exemplo, a distribuição dos focos ao longo da BR-364, desde o Mato Grosso até Rondônia. Muitas propriedades agrícolas, pequenas e grandes, localizadas junto à rodovia, estão usando fogo. O mesmo acontece nas proximidades da rodovia Belém-Brasília e da Transpantaneira, no Mato Grosso do Sul. As áreas mais críticas são o Pantanal ao sul de Corumbá e ao redor de Nhecolândia, além da região de Promissão e Bataiporã (MS); o norte de Cuiabá, a Serra dos Apiacás, Alta Floresta, Sinop e às margens do rio Araguaia (MT); Vilhena, Cacoal, Pimenta Bueno, Serra dos Parecis e Porto Velho (RO); Serra do Cachimbo, alto e médio Xingu, Conceição do Araguaia, Serra dos Carajás e Itinga (PA); de Palmas a Pedro Afonso e toda a região de Bom Jardim de Goiás (TO); boa parte do cerrado a nordeste do Distrito Federal (GO); Açailândia, Serra do Itapicuru e Tasso Fragoso (MA) e toda a faixa no extremo oeste da Bahia, da Chapada das Mangabeiras à Serra da Suçuarana. INPE/CNPM EmbrapaClique aqui para ver imagem ampliadaDe acordo com o serviço especial de monitoramento em unidades de conservação e áreas indígenas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), nesta primeira quinzena de agosto também foram detectados incêndios nos parques nacionais do Araguaia, no Tocantins (38 focos); Ilha Grande, no Paraná (6 focos); Serra da Canastra, emMinas Gerais (3 focos); Brasília, no Distrito Federal (2 focos); Serra das Confusões, no Piauí (1 foco); e São Joaquim, em Santa Catarina (1 foco). Diversas florestas nacionais (flonas) foram igualmente afetadas por incêndios, sendo as flonas de Bom Futuro, em Rondônia, e de Itacaiúnas, no Pará, os dois piores casos, com 20 e 19 focos em 15 dias, respectivamente. Queimaram ainda as flonas Tapirapé-Aquiri (3 focos), Tapajós (3 focos) e Carajás (2 focos), no Pará, mais a flona de Jamari, em Rondônia, com3 focos. A Estação Ecológica Uruçuí-Una, no Piauí, continua com várias frentes de fogo, como já havia sido detectado em julho. Entre 1 e 14 de agosto foram 21 focos, registrados pelo satélite. E as chamas atingiram igualmente as ReservasBiológicas de Gurupi, no Maranhão (4 focos), e Guaporé, em Rondônia (1 foco). Vale destacar que o uso do fogo pode ser autorizado em propriedades agrícolas, mas tanto nos parques como nas florestas nacionais é crime e nas estações ecológicas e reservas biológicas é gravíssimo. Muitas vezes, os incêndios em unidades de conservação tem início em queimadas agrícolas que fogem ao controle.Nas áreas indígenas, o fogo costuma ser utilizado como instrumento agrícola para limpar as áreas de roça. A intensidade com que algumas áreas queimaram nestes primeiros dias de agosto, porém, indica a carência de orientação quanto ao controle do fogo. Na terra indígena Apyterewa, no Pará, foram 181 focos; entre os Marawaitsede,no Mato Grosso, foram 159 focos; nos Kadiwéu, no Mato Grosso do Sul, 118 focos e no Parque Indígena do Araguaia, 68 focos.

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