Seca no Amazonas ameaça peixes-boi

A seca que atinge o estado do Amazonas está causando a morte de peixes-boi, espécie ameaçada de extinção. Cerca de 120 animais já foram vítimas, de acordo com os números da Operação Vazante, realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A veterinária Branca Tressoldi, coordenadora da campanha, explica que é nessa época que os animais estão mais vulneráveis: "O rio está baixando, os lagos ficam mais secos, e eles ficam mais expostos". Soldados da Força Aérea Brasileira carregam com comida e remédios avião Hércules C-130 para ajudar vítimas da seca no AmazonasDe acordo com Tressoldi, este ano, a seca está bastante severa, e os animais estão muito mais vulneráveis ao abate dos caçadores. Na expedição, contou a veterinária, a equipe do Ibama vai a todas as comunidades para mostrar a importância do peixe-boi para a qualidade de vida dos rios da Amazônia e, conseqüentemente, para os próprios pescadores. "Depois disso, eles se tornam nossos aliados, evitam matar o peixe-boi e passam a entender a importância do animal para a Amazônia".A veterinária explica que o peixe-boi é fundamental para os rios da Amazônia. Como é um animal herbívoro, ele se alimenta do capim que se acumula nos rios, igarapés e lagos, obstruindo a passagem de barcos e canoas. "O peixe-boi come muito, cerca de 10% do seu peso por dia. Um animal de 200 quilos come 20 quilos de capim em um só dia. Sem os peixes-boi, os ribeirinhos terão dificuldade de utilizar os rios". Além disso, acrescenta Tressoldi, as fezes do peixe-boi servem de adubo. "Existe toda uma cadeia alimentar em que, no topo, antes dos seres humanos, estão os peixes. Um local que não tem mais peixe-boi vai quebrar essa cadeia, e diminui a quantidade de peixes no rio".Branca Tressoldi faz um alerta de que, se persistir a matança, os peixes-boi podem deixar de existir. "O peixe-boi da Amazônia existe há milhares de anos e parece que, em pouco mais de 500 anos, depois da descoberta do Brasil, nós estamos conseguindo extinguir essa espécie. É uma espécie típica da Amazônia que se acabar, nós vamos sentir muito", lamenta.As informações são da Agência Brasil.

Agencia Estado,

16 de outubro de 2005 | 11h27

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