Secas e tempestades ficarão mais violentas, diz relatório

Relatório alerta que se preparar para o clima 'comum' pode deixar pessoas vulneráveis aos eventos extremos

AP

19 de junho de 2008 | 19h41

As secas ficarão mais secas, as tempestades mais tempestuosas e as enchentes mais profundas com a mudança climática, disse um relatório governamental norte-americano nesta quinta-feira, 19. Eventos que eram relativamente raros se tornarão lugares-comuns, disse o mais recente relatório do Programa Científico de Mudança Climática dos Estados Unidos, um esforço conjunto de mais de uma dúzia de agências governamentais.  Houve um aumento na freqüência de chuvas pesadas, especialmente nos Estados mais ao norte, que provavelmente continuarão no futuro, disse Thomas R. Karl, diretos do Centro Nacional de Dados Climáticos.  Por exemplo, Karl disse, até o final desse século quantidades de chuva esperadas para intervalos de 20 anos podem ocorrer em intervalos de cinco. Tal aumento "pode levar aos tipos de eventos que estamos vendo no oeste", disse o cientista, embora não tenha ligado diretamente as inundações atuais que atingem os EUA à mudança climática.  No entanto, o relatório alerta que se preparar para o clima que tem sido relativamente comum pode deixar as pessoas vulneráveis aos eventos extremos que ocorrem cada vez mais. "Medidas de controle de enchentes moderadas em um rio podem estimular o desenvolvimento em um plano 'seguro' agora, apenas para ver essas novas estruturas destruídas quando uma enchente muito grande ocorrer", diz o relatório.  Ao mesmo tempo em que chuvas pesadas aumentam, haverá mais secas, especialmente no sudeste, disse Karl.  "Quando chove, chove mais forte e quando não está chovendo, está mais quente - há mais evaporação, e secas podem durar mais", explicou. As secas do sudeste americano, que começaram em 1999, estão começando a competir com as secas mais fortes conhecidas, incluindo aquelas de 1930 e 1950, acrescentou.  Gerald A. Meehl, cientista do National Center for Atmospheric Research, disse há um padrão do aumento da força dos furacões desde 1970, no Atlântico e no Pacifico, uma mudança que pode estar ligada ao aumento da temperatura da superfície dos mares.  Há uma ligação estatística entre o aumento das temperaturas de superfície e atividade de furacões, disse Meehl, mas ligar as mudanças às atividades humanas ainda precisa de mais estudo.  Mais facilmente atribuído ao impacto humano é o aumento generalizado nas temperaturas, disse.  Não tem ficado como ficava em décadas passadas e há menos noites com geadas, um padrão que se espera que continue no futuro, acrescentou.  "Um dia tão quente que ocorreria uma vez a cada 20 anos ocorrerá a cada três até a metade desse século" de acordo com as projeções dos modelos climáticos, disse o relatório. Pesquisadores podem usar modelos computadorizados de clima para separar as causas e efeitos desse aquecimento, explicou - olhando para o efeito de coisas como mudanças na radiação solar ou erupções vulcânicas - e o resultado é atribuir o aquecimento global à queima de combustíveis fósseis.

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