Secretaria de Saúde reconhece que Rio pode ter mais casos de dengue tipo 4

Segundo o secretário de Saúde, Sérgio Côrtes, os exames para identificar o tipo do vírus circulante são feitos por amostragem

Clarissa Thomé , O Estado de S. Paulo

24 Março 2011 | 11h40

RIO - A secretaria estadual da Saúde reconhece que o Rio pode ter mais pessoas contaminadas pelo tipo 4 da dengue, além das duas irmãs que foram diagnosticadas em Niterói, na região metropolitana. Segundo o secretário de Saúde, Sérgio Côrtes, os exames para identificar o tipo do vírus circulante são feitos por amostragem.

 

"Não é importante para o tratamento saber se o paciente tem o tipo 1 ou 4. Isso só é importante para o acompanhamento epidemiológico", disse Côrtes. Ele ressaltou que a população não deve ficar alarmada com a chegada do novo tipo. "Não há registro na literatura médica, nem nos casos de dengue tipo 4 identificados no Norte e Nordeste, que esse vírus seja mais agressivo."

 

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“O tipo 4 não muda nossa estratégia, o que faremos é melhorar as ações de combate como nos anos anteriores. Nossa maior preocupação é com o mosquito. Em 2012, vamos mudar um pouco a estratégia no que diz respeito à informação para termos mais controle sobre as ações dos agentes de endemia nas visitas às residências e assim tornar as ações de combate mais eficientes. Só acabando com os focos, estaremos combatendo a dengue de forma eficaz.”

 

O secretário fez um apelo aos municípios para que não deixem de notificar os casos. “Não podemos ter subnotificação. A notificação é fundamental porque por meio dela podemos tomar as medidas no que diz respeito à assistência, com uma noção real do problema.”

 

Côrtes disse também que haverá investimento em comunicação para uma mudança de cultura na população. O intuito é fazer com que as pessoas sejam mais participativas no combate aos focos do mosquito. Ele informou que todas as unidades de saúde passaram por capacitação para o diagnóstico clínico do vírus da dengue. "Na hora de tratar não importa o tipo de vírus, os exames são mais para uma estratégia epidemiológica."

 

O superintendente de Vigilância Ambiental e Epidemiológica, Alexandre Chieppe, esclareceu que o estado tem os recursos e a infraestrutura necessários para casos de surto e epidemia. “Não há absolutamente falta de equipe ou de maquinário para o combate ao foco do mosquito", disse o superintendente que também explicou que o uso de inseticidas nas ruas e nas comunidades são ações permanentes e independem do tipo de vírus circulante.

 

Casos já registrados. Após registros no Norte e Nordeste do País, a dengue tipo 4 chegou ao Sudeste. Em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, duas irmãs, de 21 e 22 anos, estão infectadas. Elas não viajaram recentemente, o que aponta para possível transmissão autóctone (dentro do Estado). A chegada do novo vírus pode levar a uma nova epidemia, pois a população não tem imunidade a esse subtipo.

 

As irmãs, que apresentaram os primeiros sintomas no dia 6, estão em casa e se recuperam bem, afirma a secretaria. A identificação do vírus foi feita por exames laboratoriais realizados pela Fundação Oswaldo Cruz, e o resultado ficou pronto ontem.

 

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde informou que tomou todas as medidas de bloqueio e investigação epidemiológica. "É importante salientar que não há motivo para pânico", disse o secretário de Saúde do Estado, Sérgio Côrtes. Segundo ele, não há evidência de que o sorotipo 4 seja mais letal ou que apresente maior gravidade em relação aos demais subtipos.

 

Há o temor, porém, de aumento de casos de dengue hemorrágica - esta sim, mais grave do que a chamada dengue clássica. Em geral, ela acomete quem já foi infectado por outro sorotipo do vírus.

 

Na terça-feira, os governos da Bahia e do Piauí informaram o registro da dengue tipo 4, os primeiros da Região Nordeste. Até então, o vírus estava restrito à Região Norte, em Roraima, Amazonas e Pará. Esse subtipo do vírus da dengue voltou a aparecer em 2010 após ficar 28 anos sem registros no País.

 

No Rio. Niterói teve 604 casos suspeitos dos outros subtipos da dengue neste ano - taxa de incidência de 123,9 casos por 100 mil habitantes. Não houve mortes. Oito municípios fluminenses enfrentam epidemia da doença - registram mais de 300 casos por 100 mil habitantes. O número de cidades dobrou em relação ao último relatório semanal da secretaria.

 

Desde o início do ano foram registrados 26.298 casos suspeitos e 18 mortes, 6 delas na capital (ainda há um caso suspeito, de uma criança de 1 ano e nove meses). No mesmo período de 2010 foram 4.188 casos e 5 mortes.

 

O governo do Estado criou centros de referência para a dengue nos municípios que registram maior número de casos. Cantagalo, cidade com a terceira maior taxa de incidência da dengue no Estado (1.315 casos por 100 mil habitantes), recebeu anteontem equipamentos para a montagem de três centros de hidratação. Com 480 casos suspeitos, não registrou mortes.

 

"Temos cobertura de posto de saúde da família para 100% da população. Por isso, conseguimos fazer a notificação de todos os casos e o atendimento desde os primeiros sintomas da doença, evitando o agravamento", afirma o secretário municipal de saúde, Marcio Barbas.

 

Dos 480 casos, apenas um teve complicações: o de uma menina de 5 anos, que foi transferida na sexta-feira para o Instituto Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio, com suspeita de dengue hemorrágica. Ela não corre risco de morte.

 

Para tentar conter a epidemia, a Secretaria Municipal de Saúde está usando uma técnica de bloqueio da circulação do vírus. Todas as casas, em um raio de 300 metros da residência onde há registro de dengue, são pulverizadas com inseticida, como o usado no carro fumacê.

 

"As portas e janelas são fechadas, e a família deve ficar meia hora fora do imóvel após o técnico aplicar o inseticida. A molécula do pesticida percorre 400 vezes o ambiente e atinge o mosquito que está escondido. A eficácia é de 100%", diz Igor Teixeira Carvalho, coordenador de Vigilância Sanitária de Cantagalo.

 

Fumacê e combate às larvas completam o serviço. A dona de casa Rosane Nascimento, de 47 anos, abriu ontem sua casa para os agentes da prefeitura. Ela, o filho e o irmão já tiveram a doença. "Até o fio de cabelo doeu. Quando meu filho pegou, parei o pessoal da prefeitura e pedi para virem até a minha casa."

 

O Hospital de Cantagalo, filantrópico, tem recebido 40 pacientes com sinais de dengue por dia - a maioria para o segundo ou terceiro atendimento. Foi o caso do vigilante Giovani Santos da Silva, de 30 anos, que foi internado ontem. "Tive dengue a primeira vez com 13 anos. Agora está pior. Sinto muitas dores nas pernas. Nem aguentei ficar no trabalho", contou o vigilante, que tem o corpo coberto por placas.

 

(Com Agência Estado)

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