Secretário promete verificar estações da Cetesb

O secretário estadual de Meio Ambiente, José Goldemberg, prometeu verificar o sistema de monitoramento da Cetesb na região do Pólo Petroquímico de Capuava, na Grande São Paulo. Salientou, porém, que é preciso verificar se há conexão entre os casos de tireoidite de Hashimoto, diagnosticados na população do entorno, e a poluição industrial. "O caso ainda está no começo e não está claro o que devemos procurar. A causa pode ser alguma outra coisa, não obrigatoriamente uma emissão do Pólo", disse.A afirmação foi feita a ambientalistas, que estiveram hoje na Secretaria para pedir uma correção no sistema de monitoramento ambiental na região. Segundo Carlos Bocuhy, integrante do Conselho Estadual do Meio Ambiente de São Paulo (Consema), as estações da Cetesb estão localizadas a leste e a oeste do Pólo, enquanto os ventos predominantes na região são sul e sudeste, fazendo a pluma de poluição seguir em direção norte, exatamente para bairros de São Paulo, Mauá e Santo André, onde foram diagnosticados os casos da doença. "Essas estações foram instaladas antes do adensamento desses bairros, por isso a localização das estações precisa ser revista", disse.Para Jeffer Castelo Branco, da Associação de Consciência à Prevenção Ocupacional (ACPO), o monitoramento ambiental da Cetesb precisa começar a incluir também as substâncias químicas, para que se possa fazer uma avaliação de risco para a população. Goldemberg informou que comunicou à Vigilância Sanitária assim que teve conhecimento do caso, e que o papel da Secretaria do Meio Ambiente é medir os poluentes e analisar se estão de acordo com as normas. "Vamos investigar se as estações estão localizadas no lugar correto, por conta da evolução da ocupação da região. Mas é preciso aprofundar a pesquisa junto à Secretaria de Saúde para termos uma idéia de que substância pode estar associada ao problema", disse.O alto índice de tireoidite de Hashimoto, doença autoimune que destrói a glândula tireóide (responsável pela produção de hormônios vitais para o ser humano), foi denunciado pela endocrinologista Maria Ângela Zacarelli Marino, da Fundação Universitária do ABC. A médica, que possui consultório na região, começou a perceber o problema há anos entre seus pacientes, que orientava para que fizessem exames em toda a família e informassem os vizinhos. No entanto, só tornou pública sua pesquisa quando ambientalistas, que faziam entrevistas com moradores do entorno do Pólo, souberam do trabalho por uma das 90 famílias com casos da doença acompanhadas pela endocrinologista."Esta é uma doença de componente genético e não é incomum. Contudo, o índice de crianças em idade escolar atingidas pela doença chega a 10%, quando o normal é de 1,2%", diz. Além disso, Maria Ângela afirma que os casos atingem pessoas sem consangüinidade, como marido e mulher, em índices também acima do normal. "Embora não saibamos quais substâncias podem estar relacionadas ao problema, há relatos na literatura médica de que fatores ambientais também podem desencadear a doença", afirmou.A médica, que expôs o problema ao secretário de Meio Ambiente, disse que muitas das famílias, ao saberem da questão, mudaram-se, mas que continuam sendo acompanhadas. Informou ainda já ter contatado a Vigilância Sanitária e estar à disposição para ajudar na investigação do problema, desde que seus pacientes sejam resguardados.AssembléiaO deputado estadual Wagner Lino (PT), membro da Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Assembléia Legislativa, propôs hoje que a Comissão realize uma audiência pública para tratar da poluição e possível contaminação dos moradores que residem próximos ao Pólo Petroquímico de Capuava. O requerimento deve ser apreciado na próxima quinta-feira, durante reunião da Comissão.O deputado informou também que já havia encaminhado pedido, no início do mês, para que a Câmara Regional do Grande ABC realize uma audiência pública na Câmara Municipal de Mauá, para discutir a expansão do Pólo Petroquímico do ABC, projeto que motivou os ambientalistas do Consema a realizar a Pesquisa Preliminar sobre a Qualidade Ambiental no Pólo de Capuava. Segundo o secretário Goldemberg, porém, não existe até o momento nenhum pedido de licença ambiental para a expansão do Pólo.

Agencia Estado,

14 de junho de 2002 | 17h58

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