Secretário quer apressar manejo da juçara no Vale do Ribeira

O secretário estadual do Meio Ambiente, José Goldemberg,quer apressar os estudos visando o manejo sustentável da palmeira juçara, que produz o palmito, nos entornos dos parques estaduais para a produção comercial de suco. Das sementes da planta pode ser extraído um suco semelhante ao do açaí, uma palmeira amazônica, largamente consumido em todo o País. Goldemberg acredita que a coleta de sementes para a extração do suco, de alto valor comercial, poderá reduzir o corte das palmeiras para a retirada do palmito. Embora proibida, a extração de palmito continua sendo praticada e está levando à extinção da juçara no Estado. As populações remanescentes encontram-se apenas nos parques estaduais ou em áreas de manejo sob forte vigilância. Goldemberg reuniu-se nesta segunda-feira com o autor do projeto do suco, o veterinário e ambientalista Marcos Malta Migliano, que mantém um projeto de palmito no município de Sete Barras, no Valedo Ribeira. A proposta está sendo estudada há mais de um ano pelo Instituto Florestal (IF), órgão da Secretaria. O principal obstáculo éa falta de palmeiras produzindo sementes fora dos parques. Migliano defende a coleta no interior das unidades, em áreas que fazem divisa com bairros rurais, como o do Rio Preto, em Sete Barras. "Os moradores, em sua maioria cortadores de palmito, passarão a trabalhar no projeto."Segundo Migliano, enquanto um palmiteiro recebe no máximo R$ 2,00 pelo corte de uma palmeira, ele pode ganhar até R$ 20,00 com o suco da mesma árvore. A retirada parcial das sementes não afeta a planta e estas podem ser plantadas após a extração do suco. Goldemberg pediu ao ambientalista para assessorar os estudos do IF. O objetivo é iniciar o projeto na próxima safra de sementes, entre março e abril do próximo ano. Os moradores do bairro Rio Preto criaram uma associação para atuar no projeto.

Agencia Estado,

28 de outubro de 2002 | 16h11

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