Seita anuncia nascimento do primeiro clone humano

Sem apresentar nenhuma prova, cientistas de uma seita que acredita que os seres humanos foram clonados de alienígenas anunciaram hoje o nascimento do primeiro clone humano. A criança, uma menina, nasceu quinta-feira, clonada de sua própria mãe, uma americana de 31 anos, segundo a diretora da empresa Clonaid, Brigitte Boisselier. A revelação foi feita por meio de uma coletiva de imprensa na cidade de Hollywood, na Flórida. Boisselier não revelou o local do nascimento nem a identidade da mãe ou da criança, mas disse que ambas têm saúde perfeita. Nenhuma estava presente na coletiva.A menina, chamada Eva, teria sido clonada pela técnica de transferência nuclear, a mesma usada para produzir a ovelha Dolly e vários outros animais desde então. Segundo Boisselier, a mãe americana participou do experimento porque seu companheiro é infértil. "O bebê é bastante saudável. Os pais estão felizes. Espero que vocês se lembrem disso, que falem sobre esse bebê não como um monstro ou resultado de algo repugnante", disse a pesquisadora aos repórteres. Segundo ela, Eva nasceu com 3,1 quilos, de cesariana.Boisselier, uma química francesa, faz parte da seita dos raelianos, grupo que acredita que a raça humana foi clonada por seres extraterrestres e que a clonagem é a chave para a vida eterna. Ela não apresentou um teste genético para comprovar suas declarações. O médico Michael Guillen, ex-correspondente do programa de TV Good Morning America, da rede americana ABC, disse que estava convocando "especialistas internacionais independentes" para realizar testes de DNA na mãe e na filha clonada. Ele participou da coletiva ao lado de Boisselier e disse que não está sendo pago pela Clonaid.A empresa, com sede nas Bahamas, promete ainda o nascimento de quatro outros bebês clonados nas próximas semanas: mais um da América do Norte, um da Europa e dois da Ásia. Segundo Boisselier, dois casais estão usando células preservadas de filhos mortos e outro é um casal de lésbicas. Outras 20 tentativas estão marcadas para janeiro. "Acredito que cada casal deve escolher a criança que deseja ter, mesmo se não tiverem nenhum problema de infertilidade", disse a pesquisadora. "Quem somos nós para dizer aos pais que filho eles devem ter?" A Clonaid não solicitou pagamento dos casais participantes, mas alguns fizeram contribuições à empresa, completou.A criança deve ir para casa em três dias, quando especialistas independentes extrairão amostras de DNA para provar que ela é clonada, disse Boisselier. Os resultados devem sair em nove dias. "Vocês podem voltar para seus escritórios e me tratar como uma fraude. Têm uma semana para fazer isso", desafiou.Com o anúncio de hoje, a Clonaid assume, pelo menos temporariamente, a liderança da corrida para clonar o primeiro ser humano, travada ao longo dos últimos dois anos com os médicos Severino Antinori, na Itália, e Panayiotis Zavos, nos EUA. Em sua última declaração pública, no início do mês, Antinori disse que seu primeiro clone, um menino, nasceria em janeiro, em um local também não revelado. De Roma, ele menosprezou o anúncio da Clonaid, dizendo que a empresa não tem credibilidade científica. "(A notícia) me faz rir e ao mesmo tempo de preocupa, porque cria confusão entre aqueles que fazem pesquisa científica séria", disse.A seitaUm cantor fracassado e ex-jornalista de 57 anos, autodenominado Rael, se propôs a ser o último profeta, enviado por extraterrestres, para criar em laboratório uma vida humana exatamente igual a outra, algo que ele mesmo definiu como o "fim último".O francês Claude Vorilhon, fundador da seita dos raelianos, conta que sua "missão" foi determinada em 13 de dezembro de 1973, na cidade de Auvergne, na França Central. Foi ali que ele teria se encontrado com pequenos visitantes de cor verde oliva, com cerca de 1,30 m de altura, que lhe explicaram que os seres humanos haviam sido criados em um laboratório, à sua própria imagem, 25 mil anos atrás - com a mesma facilidade com que se copia um disco.Vorilhon, então, virou Rael e fundou o Movimento Raeliano Internacional, com sedes em cinco continentes e 55 mil seguidores em 84 países - ou no máximo 20 mil fiéis, segundo alguns observadores. Considerados a princípio como um grupo de "malucos, felizes e inofensivos", os raelianos deixaram de fazer as pessoas rirem de suas experiências desde o anúncio de uma grande quantidade de clonagens com humanos que estaria para ocorrer, a "chave da vida eterna", segundo Rael.A grande maioria de seus seguidores está em Quebec (Canadá), nos Estados Unidos, Suíça e, obviamente, França. Para as autoridades francesas que investigam esses agrupamentos, os raelianos têm "todas as características das seitas, um guru dotado de grande carisma, adeptos ´totalmente controlados´ que entregam parte importante de seus ganhos (de 3% a 10%) e uma forte hierarquia entre seus seguidores".

Agencia Estado,

27 de dezembro de 2002 | 04h17

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