Sem alarde, sonda japonesa se aproxima de asteróide

Rivais na corrida espacial, Estados Unidos e Europa ganham as manchetes dos principais jornais e os maiores orçamentos, mas uma pouco noticiada missão espacial japonesa a um asteróide distante pode ganhar a atenção mundial.Lançada em 9 de maio de 2003 com total indiferença da imprensa, a pequena sonda Hayabusa (Falcão) está agora à beira do encontro com um asteróide de 630 metros numa missão que pode se tornar histórica.Se for bem sucedida, a Hayabusa será a primeira espaçonave a trazer para a Terra material bruto de um asteróide, parte dos restos primitivos deixados para trás na formação do Sistema Solar."A compreensão da composição química dos asteróides vai nos ajudar a entender como os planetas foram formados. Mas os únicos asteróides que vemos na Terra são restos queimados, como meteoritos, não a substância bruta propriamente", explicou Patrick Michel, astrofísico envolvido na missão, que trabalha para o Observatório da Cote d´Azur, no sul da França, e para o Centro Nacional Francês de Pesquisa Espacial (CNRS).A sonda Hayabusa, movida por um motor de íons - uma lenta mas constante forma de propulsão - está agora a apenas 750 quilômetros do asteróide Itokawa, segundo informações divulgadas na última segunda-feira pelo site da missão, ligado à Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa (JAXA).Projétil e robôEm novembro será realizada a parte mais difícil da missão: a sonda Hayabusa vai realizar uma manobra cautelosa para chegar a poucos metros do asteróide e então lançar um projétil pesando cerca de cinco gramas em sua superfície, numa velocidade de 300 metros por segundo, cerca de 1.800 quilômetros por hora.Se a aritmética estiver certa e a sorte estiver do lado da Hayabusa, uma pequena explosão vai lançar o material bruto do asteróide para um funil delgado, direto para a sonda. O projétil vai liberar pequenos materiais explosivos em três partes diferentes do asteróide, com cada amostra sendo armazenada com cuidado a bordo da sonda.A Hayabusa vai lançar também um pequeno robô, do tamanho de uma lata de alumínio, chamado Minerva, que por dois dias vai vasculhar a superfície do asteróide, fazendo fotografias e medindo sua temperatura.Após toda esta pesquisa, é hora de voltar pra casa. Em junho de 2007 a preciosa carga da sonda Hayabusa, de apenas 100 miligramas, vai poUsar na Austrália.

Agencia Estado,

07 de setembro de 2005 | 13h38

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