Sem crateras, Titã conserva seu ar de mistério

As primeiras imagens da lua Titã feitas da menor distância já atingida por um equipamento produzido pelo homem revelaram uma superfície sem nenhum sinal evidente de crateras de impacto, algo que pode ser considerado incomum no espaço.Além dessa característica, as primeiras fotos enviadas na terça-feira pela sonda euro-americana Cassini-Huygens mostraram áreas escuras e claras na superfície do misterioso satélite de Saturno.Pode parecer pouco, mas é a primeira vez que são obtidas imagens diretas do que existe sob a densa e nebulosa atmosfera da maior das 33 luas daquele planeta. A sonda passou por ela a uma distância de 300 vezes menor do que a da primeira vez, em julho, e chegou a 1.198 km do satélite de 4,8 mil km de diâmetro.Com as imagens e os dados de radar, que devem chegar à Terra nesta quarta-feira, os pesquisadores das agências espaciais dos Estados Unidos (Nasa), Europa (ESA) e Itália devem ter mais condições de avançar nos estudos. Por ora, continuam as especulações sobre a existência de lagos de etano e depósitos de hidrocarbono.As imagens começaram a chegar, como previsto, nove horas depois que a sonda passou à menor distância de Titã. Com elas, os pesquisadores do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, em Pasadena, começaram estudar as áreas claras e escuras da superfície, mas ainda sem poder dizer, por exemplo, se as áreas claras seriam lagos ou nuvens de metano na atmosfera.O chefe da equipe de imagens do laboratório, Charles Elachi, disse à AP que esperava encontrar sinais de geisers. Os cientistas também esperam ter mais dados sobre a densidade da atmosfera de Titã, que podem ajudar no momento em que a sonda Huygens se descolar da Cassini para pousar na superfície daquele satélite, em 14 de janeiro.Titã é o único satélite conhecido no Sistema Solar que tem atmosfera. É objeto de atenção especial da missão porque pode conter os elementos que, na Terra, teriam contribuído para originar a vida.

Agencia Estado,

27 de outubro de 2004 | 11h37

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