Sem fazer alusão à eleição, d. Odilo pede reconciliação

Cardeal brasileiro se mostrou surpreso com o número de jornalistas na missa, apesar de ser forte candidato a papa

José Maria Mayrink, enviado especial de O Estado de S. Paulo,

10 Março 2013 | 22h18

CIDADE DO VATICANO - O cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo e um dos nomes mais cotados para suceder Bento XVI, com certeza sabia que sua missa seria muito concorrida, mas fez um ar de surpresa ao chegar às 10 horas de ontem, com meia hora de antecedência, à igreja de Santo André no Quirinal, da qual é titular em Roma.

 

"Quanto jornalista para assistir à missa, que maravilha", brincou sorridente o cardeal, cercado por cerca de 50 repórteres, fotógrafos e câmeras de TV, que esperavam por ele à porta do belíssimo templo dos padres jesuítas, construção de forma arredondada para 80 pessoas sentadas, bem no centro da cidade.

 

Metade do público que lotou a pequena igreja era da imprensa, que não estava ali para rezar, mas para registrar as palavras de Scherer, principal concorrente do cardeal Angelo Scola, arcebispo de Milão, que celebrava missa na mesma hora na Basílica dos 12 Santos Apóstolos, a alguns quarteirões do Quirinal. Era uma oportunidade rara de ver um cardeal de perto, pois os eleitores do conclave, que começa amanhã, fugiram da imprensa desde que começaram as congregações-gerais no Vaticano.

 

Antes de iniciar a missa, d. Odilo pediu que todos rezassem "por esse momento importante e tão difícil, mas também cheio de esperança, que a Igreja está atravessando". Não fez referência direta ao conclave, mas todos entenderam que ele estava pedindo a intervenção do Espírito Santo para que o conclave escolha o papa ideal para enfrentar e vencer uma situação de crise.

 

Ele falou o tempo todo em bom italiano, exceto quando saudou em português o embaixador do Brasil na Santa Sé, Almir Franco de Sá Barbuda.

A homilia (sermão) durou 22 minutos. D. Odilo comentou o Evangelho do domingo, sobre a parábola do filho pródigo – a história do jovem que saiu de casa e dilapidou a herança recebida do pai, enquanto o irmão mais velho continuava trabalhando na lavoura da família.

 

O cardeal disse que, como na parábola, Deus está sempre disposto a acolher de volta o pecador que abandona sua fé e se afasta da Igreja. Nenhuma alusão à situação que a Igreja atravessa, mas o cardeal insistiu na misericórdia, na reconciliação e no perdão – mensagens, segundo ele, inspiradas na parábola.

 

O embaixador Almir Barbuda, que disse ter comparecido à missa em deferência a d. Odilo, disse ser impossível prever o resultado do conclave, dado o sigilo do processo de eleição do papa. "Se for eleito um papa brasileiro, será muito bom e a expectativa é grande", disse.

 

A seu lado, o fundador do Shalom, Moisés Azevedo, de Fortaleza (CE), informou que os 40 mil membros de seu movimento – sacerdotes, celibatários e famílias – estão rezando pela eleição do papa. "O papa é um dom de Deus, seja quem for, mas se for um brasileiro ficaremos ainda mais felizes", disse.

 

Antes de terminar a celebração, d. Odilo cumprimentou o casal Maria e Carmine Pensighetti, ambos de 89 anos, que comemoravam, com três filhas, quatro netos e três bisnetos, seus 70 anos de casamento. "Que beleza, isso ainda é possível", disse.

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