Sem mata ciliar, aumenta a população de capivaras

A derrubada de matas ciliares está causando um aumento das populações de capivaras no interior de São Paulo e trazendo preocupação para as autoridades sanitárias. A reprodução desses animais aumenta o risco de disseminação do carrapato transmissor da febre maculosa, que utiliza os roedores como hospedeiros. A doença é rara, mas fatal quando não diagnosticada rapidamente.O problema será tema de um encontro na quinta-feira, em Piracicaba, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo, no qual será firmado um acordo de cooperação com o Ibama para tratar das capivaras. Só na propriedade da escola, de 900 hectares, vivem cerca de 350 dos grandes roedores, segundo o prefeito do campus, Marcos Vinícius Folegatti.Na bacia do Rio Piracicaba, segundo Folegatti, são "alguns milhares". A situação piorou nos últimos anos por causa do corte das matas nas margens dos rios, abrindo pastagens perfeitas para a procriação das capivaras.O filho de um professor da Esalq morreu em 2002 de febre maculosa, depois de passear pelo campus e ser picado por carrapatos. Os ácaros se reproduzem no solo e utilizam animais como hospedeiros, principalmente capivaras e cavalos. O ciclo da doença, causada por uma bactéria, entretanto, é pouco conhecido. "Ainda não sabemos qual é o reservatório da bactéria. A capivara é uma das suspeitas, mas não há nada comprovado", diz Folegatti. Ou seja: sabe-se que o carrapato transmite a febre maculosa para o homem, mas não quem a transmite para o carrapato.Como não há inseticida específico contra ele, a melhor estratégia é evitar contato com o parasita. Ou, quando picado, retirá-lo da pele o mais rápido possível. Uma idéia, segundo Folegatti, é permitir que capivaras encontradas fora de zonas protegidas sejam remanejadas para outras áreas. A caça do animal é considerada crime inafiançável. "A curto prazo, o mais importante é recuperar as matas ciliares", completou o prefeito do campus.

Agencia Estado,

10 de maio de 2004 | 23h47

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