Seminário aponta melhores práticas para o ecoturismo

Com um crescimento de 15% ao ano no Brasil, o ecoturismo tem sido considerado uma alternativa de renda para as comunidades que vivem no entorno dos locais visitados, além de uma ferramenta de conservação da biodiversidade. No entanto, precisa ser operado de maneira consciente, pois turismo ecológico não é apenas uma viagem para um lugar rico em cultura e belezas naturais; precisa produzir benefícios para quem visita e para quem é visitado.O potencial e a forma de atuação do setor são os principais enfoques do seminário internacional Melhores Práticas para o Ecoturismo, que acontece entre hoje e amanhã, no Rio de Janeiro. Promovido pelo Sesc Rio e pelo Fundo Brasileiro para Biodiversidade (Funbio), o evento mostrará práticas empresariais em administração de ecoturismo em locais como Estados Unidos, América Central e Caribe, Europa e Brasil.Incluído no Programa de Estudos Estratégicos do Funbio em 1999, o turismo ecológico motivou o desenvolvimento do Programa Melhores Práticas para o Ecoturismo (MPE), que conta com investimentos de R$ 2 milhões para o biênio 2001/2002. ?O principal desafio para melhorar as práticas de ecoturismo no País é a capacitação profissional e o treinamento em campo?, disse Roberto Mourão, coordenador técnico do programa.Assim, a prioridade do MPE é a preparação de equipes de caráter multidisciplinar, com habilidades e experiências variadas, para atuar como agentes capacitadores. Com isso, pretende-se capacitar atores locais em práticas operacionais e financeiras em ecoturismo e turismo especializado. Os primeiros monitores do programa foram treinados na Reserva Natural da Vale do Rio Doce, em Linhares, Espírito Santo, em curso de dois meses. Depois foram enviados para uma etapa de estágio-treinamento em campo, em locais como Mamirauá (AM), Itacaré-Una (BA), Corumbá (MS), Delta do Parnaíba (PI/MA), Ilha Grande (RJ), Fernando de Noronha (PE) e Petar (SP). Esses capacitadores estão atuando, neste momento, em 11 pólos espalhados pelo país.Segundo o coordenador do Pólo, esses treinamentos poderão equacionar problemas como o que está ocorrendo na região do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, a 250 Km de São Luís. Com 150 mil hectares, o parque é um dos principais destinos do ecoturismo brasileiro, mas vem sendo ameaçado pelo uso excessivo da palha da palmeira do buriti para a confecção artesanal de redes e bolsas.O programa do Funbio pretende mostrar para a comunidade envolvida com o extrativismo, que a melhor opção é adotar um manejo onde se produza menos e se venda o produto mais caro, para não colocar em risco esse patrimônio natural e, com isso, inviabilizar o futuro econômico dos artesãos. Um caso semelhante ocorre no Ceará, onde os comerciantes compram redes no local por R$ 8, para revendê-las mais tarde por R$ 40. O Funbio quer mostrar à comunidade que podem vender redes em menor escala, por R$ 15 a R$ 20, obtendo o mesmo retorno financeiro.O principais financiadores do programa são a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o Banco da Amazônia (Basa), o Ministério do Meio Ambiente, através da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável, a Embratur, além do apoio de várias empresas.

Agencia Estado,

10 de setembro de 2002 | 12h13

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