Seminário estabelece agenda para conservação da Amazônia

Uma agenda de implementação de políticas de uso, conservação e repartição de benefícios da biodiversidade amazônica será definida até a próxima quinta-feira, 12 de setembro, por aproximadamente 100 cientistas, ambientalistas, lideranças indígenas e técnicos governamentais, reunidos em Rio Branco, no Acre. Com base em um levantamento preliminar do atual estágio de implementação dessas políticas, no estado do Acre e na região de abrangência dos rios Juruá e Purus, no Amazonas, os especialistas avaliam o que já está em andamento e quais as lacunas a serem preenchidas. Trata-se da primeira revisão parcial do Workshop de Ações Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade da Amazônia, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e realizado em Macapá, em setembro de 1999. O workshop reuniu mais de 200 especialistas e resultou em propostas práticas, que desde então vem norteando tanto projetos de entidades ambientalistas como decisões do governo federal, a exemplo da criação de florestas nacionais ou do recém anunciado Parque Nacional das Montanhas do Tumucumaque, a maior unidade de conservação de florestas tropicais do planeta, com seus 3,8 milhões de hectares."Fizemos um levantamento preliminar da implementação das ações prioritárias definidas em 1999 e agora completaremos as informações deste levantamento, para em seguida traçar estratégias de ação daqui para a frente, já com a identificação de responsáveis pela implementação do que ficou faltando", explica Nurit Bensusan, do Instituto Socioambiental, organização não governamental (ong) que coordenou o workshop de Macapá e também organiza esse seminário de Rio Branco. No levantamento preliminar, além de verificar o que já foi implementado, também se identificou quem ou quais instituições foram responsáveis pelas ações já realizadas e quais os principais obstáculos à sua continuidade.A região Juruá/Purus/Acre, objeto dessa reunião, divide-se em 68 áreas menores, onde as dificuldade de uso e conservação da biodiversidade vão desde a existência de narcotráfico, invasões de terras indígenas, pressão de caça, sobrepesca, desmatamentos e conflitos fundiários até a extração ilegal e predatória de recursos naturais, entre os quais o roubo de madeira é o principal. Também foram dignosticados problemas decorrentes da sobreposição de unidades de conservação e terras indígenas e entraves burocráticos impostos por políticos locais.Reuniões semelhantes serão realizadas, em breve, nas outras 6 áreas da Amazônia, cujas prioridades foram definidas em 1999: Alto Xingu/Tapajós/Roraima/Mato Grosso; Baixo Xingu/Tapajós/Madeira; Escudo das Guianas; Rio Negro/Rio Branco; Araguaia/Tocantins/Maranhão e Várzeas do Solimões/Amazonas.

Agencia Estado,

10 de setembro de 2002 | 15h26

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