Senador quer denunciar à ONU Nobel acusado de racismo

Paulo Paim (PT-RS) pede que James Watson seja acusado de crime contra a humanidade por declarações

Milton F.da Rocha Filho, da Agência Estado,

19 de outubro de 2007 | 12h38

O senador Paulo Paim (PT-RS) anunciou nesta sexta-feira, 19, na tribuna do Senado, em pronunciamento transmitido pela TV Senado, que vai propor na próxima reunião da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), marcada para a semana que vem, que a comissão apresente sugestão à Organização das Nações Unidas (ONU) para que o biólogo James Watson seja denunciado junto ao Tribunal Internacional por crime contra a Humanidade.  Veja também:Laboratório suspende cientista Nobel por declaração racista Ganhador do Prêmio Nobel em 1962 pela descoberta da estrutura do DNA quase dez anos antes, James Watson afirmou recentemente que os africanos são menos inteligentes do que os ocidentais. Mesmo sabendo que James Watson pediu desculpas pelas declarações concedidas a um jornal britânico, Paulo Paim disse que iria manter o voto de repúdio contra as declarações do biólogo, apresentado nesta última quinta-feira à Mesa do Senado. Segundo Paim, Watson embaralhou-se ainda mais, quando deixou claro que também se posiciona contra os homossexuais e obesos. Várias instituições e pesquisadores disseram que as declarações de Watson foram insensíveis e cientificamente equivocadas. Nesta sexta, o cientista foi afastado do cargo de chanceler (espécie de reitor) do Laboratório de Cold Spring Harbor, em Nova York, onde trabalha desde 1948. Watson disse ao jornal britânico Sunday Times, na edição do dia 14, que se sentia "inerentemente pessimista com a perspectiva da África", porque "todas as nossas políticas sociais se baseiam no fato de que a inteligência (dos africanos) é igual à nossa - enquanto todos os testes dizem que não é realmente assim". Em evento na Real Sociedade de Londres, Watson lamentou a polêmica. "Estou mortificado pelo que aconteceu. Posso certamente entender por que as pessoas, lendo aquelas palavras, reagiram desse jeito. A todos os que inferiram de minhas palavras que a África, como continente, é de alguma forma geneticamente inferior, só posso apresentar minhas desculpas incondicionais. Não era o que eu quis dizer. O mais importante, do meu ponto de vista, é que não há base científica para tal crença."Há muito tempo Watson declara haver uma base genética para a inteligência, algo incontestado por outros cientistas. Mas especialistas negam que existam "raças" em termos genéticos, pois o termos se refere apenas a características físicas externas.  Com Reuters

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