Senadora se une à manifestação pelo mogno

A mais forte candidata ao cargo de ministra do Meio Ambiente no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, senadora Marina Silva (PT-AC), aderiu, nesta terça-feira, à pressão do Greenpeace pela inclusão do mogno na lista de espécies ameaçadas de extinção.Além de defender junto à equipe de transição de Lula regras mais rígidas para a preservação da madeira, chamada de ?ouro verde?, Marina esteve na manifestação dos ativistas. Eles estão acampados desde o último sábado debaixo de um exemplar de mogno, plantado há cerca de 20 anos entre os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente.Símbolo de defesa da espécieO Greenpeace considera a árvore como símbolo da defesa da espécie. Seus ativistas só sairão de lá após o encerramento, no Chile, da Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas. Mais conhecida por sua sigla em inglês, Cites, é um acordo entre governos para impedir que o comércio internacional de animais e plantas coloque em risco a sobrevivência das espécies.Daí o movimento em favor do mogno. Para a senadora, chegou o momento de o governo fazer algo para salvar a espécie: ?Da forma abusiva como é feita hoje a extração e o contrabando, corremos o risco de perder nosso mogno?, alertou.Critérios de sustentabilidadeSegundo ela, não se trata de proibir totalmente a extração mas, sim, de adotar critérios de sustentabilidade. Marina Silva recebeu tratamento de ministra no acampamento dos ?verdes?. Posou para fotos ao lado dos ativistas, foi firme ao endossar a reivindicação do movimento, mas procurou não reforçar as expectativas de que poderá ser a escolhida por Lula para o cargo.Ainda assim, a torcida por seu nome é alta. Em oito anos de mandato no Senado, ela tem sido uma das vozes mais atuantes em defesa do meio ambiente. Estava previsto para esta terça-feira à noite um encontro da senadora com a equipe de transição de Lula para definir medidas nessa área.Não há inventárioDe acordo com o ativista do Greenpeace Nilo D?Ávila, gerente de campanha da Amazônia, o governo tem evitado adotar medidas mais rigorosas na proteção do mogno, alegando que os estoques do País são grandes e que a legislação nacional garante o manejo sustentável da espécie.Só que dados do Greenpeace, segundo ele, mostram que ?jamais foi realizado o inventário dos estoques de mogno, e a legislação florestal, além de não conter medidas capazes de garantir o monitoramento dos impactos ecológicos da exploração da madeira, na prática não é cumprida?.2 milhões de árvores abatidasAinda de acordo com a entidade, o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) estima que quatro milhões de metros cúbicos de mogno serrado foram exportados, entre 1971 e 2001, na maior parte das vezes (75%) para os Estados Unidos e Inglaterra. Outros 1,7 milhão de metros cúbicos teriam sido vendidos no mercado interno.?Num cálculo rápido, isso significa cerca de 10 milhões de metros cúbicos de madeira em tora ou mais de dois milhões árvores abatidas pelas moto-serras?, afirma Nilo D?Avila.

Agencia Estado,

05 de novembro de 2002 | 18h03

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