Senadores apóiam pesquisas com embriões

A defesa que o ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, fez da liberação no País das pesquisas com célula-tronco embrionária, no substitutivo ao projeto da Lei de Biossegurança que está sendo preparado no Senado, foi tido pelos parlamentares como a primeira manifestação pública do governo a favor da medida.Para o presidente da Comissão de Educação, Osmar Dias (PDT-PR), embora tenha o apoio da maioria dos senadores, a questão vinha sendo minimizada pelo Planalto, apesar dos seguidos apelos da comunidade científica para que fosse modificado o projeto da lei aprovado pelos deputados que proíbe essas pesquisas. ?O apoio demorou porque deveria ter sido feito no início da tramitação do projeto de lei?, alegou. ?Mas, de qualquer forma, é um avanço, e agora vamos tentar recuperar o tempo perdido, inclusive retirando as amarras contra os organismos geneticamente modificados?. Relator do projeto na sua comissão, Dias entende que a demora sinaliza a insegurança do governo em relação ao tema. ?O governo está muito inseguro em tornar pública sua posição, mas esse assunto tem de ser enfrentado, não pode ficar nesse limbo com as pessoas falando nos bastidores, sem avançar nada de concreto?, criticou, referindo-se à cautela dos líderes governistas no encaminhamento da questão. Para Dias, o substitutivo das comissões não foi votado ainda porque o governo não quis. A líder do bloco governista, Ideli Salvatti (PT-SC), chegou a anunciar a inclusão da matéria na pauta do esforço concentrado em agosto. Mas, no entender do senador Ney Suassuna (PMDB-PB), antes é preciso dar tempo às comissões de Assuntos Econômicos (CAE), de Assuntos Sociais e à de Educação para prepararem um substitutivo. ?Nós não queremos votar um assunto dessa importância sem o devido cuidado?, sustentou. Ele explicou que é seu propósito modificar o texto aprovado pelos deputados, sobretudo para acabar com a proibição das pesquisas com células tronco embrionárias.No entender do presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), o esforço em liberar no Senado essas pesquisas e os transgênicos só tem sentido se o governo começar, desde já, a preparar terreno na Câmara para impedir sua rejeição pelos deputados. ?Caso contrário, estaremos fazendo um trabalho perdido?, argumentou. Ele apontou a ?falta de comando do governo? como principal empecilho no encaminhamento dessa matéria. Agora, diante da posição do ministro Eduardo Campos, o senador acredita que não há outra saída senão a de remover na Câmara as pendências que terminaram resultando num projeto de Lei de Biotecnologia rejeitado pela maioria dos integrantes da comunidade científica do País. Autor de 11 emendas, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse temer que o Planalto continue ?empurrando a questão com a barriga?. ?Há divisões, e ninguém sabe com exatidão para que lado trabalharão os parlamentares governistas?, observou. O certo é que, desde que chegou ao Senado, em fevereiro, a liberação das pesquisas com células-tronco retiradas de embriões vem ganhando adeptos, inclusive entre os petistas. A senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) anunciou seu apoio da tribuna, alegando que confia nesses estudos como meio de se chegar á cura da descoberta de doenças como o Mal de Parkinson, o câncer e a paralisia. Didática, Seryz lembrou que essas células funcionam como ?coringas?, podendo se multiplicar de maneira diferenciada em vários tipos de tecido do organismo.

Agencia Estado,

20 de julho de 2004 | 19h45

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