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Fernando Reinach
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Será o final da pandemia? Não temos dados para saber o que ocorre no 2º semestre

Chegada da variante Delta ao País e casos de reinfecção pelo coronavírus acendem alerta

Fernando Reinach, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2021 | 05h00

O número de casos e óbitos no Brasil vem caindo de maneira consistente, o que pode indicar o prenúncio do fim da pandemia. Por outro lado, já foram detectados casos da cepa Delta em diversos locais, o que talvez signifique nova onda nas próximas semanas. 

Além disso existe um número desconhecido de casos de reinfecção em pessoas que já tiveram a doença e que foram vacinados com duas doses. O caso do governador João Doria é um exemplo. O fato é que a baixa qualidade do monitoramento da pandemia no Brasil e os dados incompletos do governo dificultam nossa capacidade de prever o que nos espera nos próximos meses.

Em países com altos níveis de vacinação (mais de 60% da população vacinada com duas doses de vacinas de alta eficácia), onde a pandemia já parecia controlada, a variante Delta está provocando um aumento de casos. Aparentemente isso não refletiu no total de internações ou mortes, o que tem sido atribuído ao alto nível de vacinação. Esse fenômeno está em pleno andamento no Reino Unido e está no início nos EUA e em Israel.

Nos EUA, o fenômeno já pode ser observado nas estatísticas nacionais e é muito claro em alguns Estados. Esse aumento de casos tem levado esses países a vacinar os mais jovens e a iniciar a aplicação de uma terceira dose da vacina num esforço de controlar de vez o coronavírus. Os fabricantes de vacina já estão testando doses de reforço com a mesma vacina ou com vacinas desenvolvidas para proteger contra as novas variantes. Esse movimento tem recebido críticas uma vez que a maior parte da população mundial ainda não foi vacinada, mas acredito que faz parte do papel dos países mais avançados descobrir e testar soluções que possam depois ser estendidas a todo o planeta.

Do lado científico, há dados demonstrando que a quantidade de anticorpos diminui ao longo do tempo em pessoas vacinadas com vacinas de mRNA (Pfizer) e de adenovírus (AstraZeneca). Daí, talvez um reforço seja necessário. 

Qual a situação no Brasil? Por aqui, os níveis de vacinação com as duas doses ainda são muito baixos (menos de 20%) e foram detectados casos da variante Delta. Como o governo só divulga a presença de um ou outro caso da variante e não complementa essa informação com o número total de amostras analisadas, é impossível sabermos a frequência dessa variante entre os novos casos. Uma possibilidade é que a Delta já seja predominante por aqui e, nesse caso, talvez não ocorra uma onda de novos casos nos próximos meses. Mas pode ser, também, que esses casos sejam os primeiros no Brasil e a Delta esteja iniciando sua expansão. Se esse for o cenário, é muito provável que tenhamos nova onda de casos nos próximos meses. E, se ela vier, é provável que as hospitalizações e mortes aumentem novamente, já que o nível de vacinação com duas doses ainda é baixo e não sabemos como a Coronavac se comporta com a nova variante. Em suma: não temos os dados necessários para saber o que vai ocorrer no Brasil no segundo semestre.

Outro problema, por aqui, é que o governo não divulga os números de testes feitos a cada dia, só o de testes positivos. Se o número de testes executados não for muito maior que o de casos positivos, o número de testes positivos não é um indicador do número real de casos. Esse problema existe desde o início da pandemia e é por esse motivo que os indicadores de mortes e de internações em UTIs têm sido os mais confiáveis do progresso da pandemia.

Com a vacinação progredindo é provável que haja uma dissociação do número de casos e do número de mortes, como vem ocorrendo no Reino Unido. Além disso é indispensável divulgar as estatísticas do número de pessoas vacinadas com cada uma das vacinas que se contaminam novamente (como Doria), são internadas e vêm a falecer. Sem essa informação será difícil decidir se a população deverá receber um reforço e se ele deve ser feito com a mesma ou com outra vacina. A baixa taxa de vacinação e o esforço de vacinar rapidamente a população não é desculpa para não enfrentarmos essas decisões e iniciarmos o planejamento para o segundo semestre de 2021.

*MAIS INFORMAÇÕES: SPIKE-ANTIBODY WANING AFTER SECOND DOSE OF BNT162b2 OR ChADOx1. LANCET https://doi.org/10.1016/ S0140-6736(21)01642-1 2021

*É BIÓLOGO

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