Setor de florestas plantadas pede maior participação

O presidente da Sociedade Brasileira de Silvicultura, Nelson Barbosa, disse que o setor de florestas plantadas gostaria de participar do plano de safra agrícola, em condições semelhantes às de qualquer outro produtor, como o de soja. Em recente audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, empresários do setor solicitaram a criação da Secretaria de Florestas Plantadas no Ministério da Agricultura, para estimular a produção. Barbosa assegura que o setor tem grande potencial de expansão, de geração de empregos e de competitividade no exterior. Mas ressalva: "Só é possível se o governo estabelecer um arcabouço de medidas que incluam financiamento, assistência técnica e desburocratização da legislação". Os produtores reclamam que Estados, União e municípios exigem praticamente os mesmos documentos para obter autorização de plantio. Ele defende o fim desta superposição e diz ser possível simplificar o procedimento sem sem menos rigoroso. Uma secretaria específica na Agricultura reforçaria, na opinião de Barbosa, o enfoque na produção que o setor está buscando. Barbosa esclareceu ainda que o pleito não tem a intenção de desvincular o setor do Ministério do Meio Ambiente. Ele diz que decisões típicas deste ministério, como definição do zoneamento ecológico-econômico, continuarão sendo respeitadas pelos produtores. O setor, continua, quer que o governo junte os esforços em todos os ministérios para que se amplie a área de florestas plantadas no País. O diretor do Programa Nacional de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Carlos Vicente, disse que a área ambiental está aberta a ouvir as demandas dos plantadores de florestas. "Há entraves burocráticos herdados do passado", ponderou Vicente, comentando que parte do setor acusa o ministério de não dar respostas para suas demandas à altura da importância econômica que possui. A disposição do novo governo, garante Vicente, é conferir cada vez mais sustentabilidade ao setor, observando limites. Um deles é que a ampliação das áreas de florestas plantadas não destrua vegetação remanescente de Mata Atlântica. Vicente explica que esta é uma forma de evitar barreiras a produtos brasileiros, porque vários países já exigem selo verde internacional atestando que a produção ocorreu de forma ecologicamente correta. Vicente também avisa que o governo quer maior participação de pequenos produtores no reflorestamento. "As pequenas e médias propriedades estão praticamente alijadas do processo de produção de madeira", endossou o senador Osmar Dias (PDT-PR), que participou com os empresários do setor florestal da reunião com Lula no Planalto. O senador informou que uma das metas do setor é, em dez anos, dobrar o número de empregos, passando para 5 milhões, e elevar as exportações para US$ 15 bilhões, quase cinco vezes mais do que atualmente.

Agencia Estado,

02 de março de 2003 | 12h24

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