Seu cérebro sabe mais sobre você do que você mesmo, mostra estudo

Imagens de ressonância magnética deram testemunho melhor que declarações dos voluntários

REUTERS

23 Junho 2010 | 18h21

Imagens do seu cérebro podem ser capazes, melhor do que você mesmo, de  prever o que você vai fazer, e poderão se tornar uma ferramenta poderosa para anunciantes ou autoridades sanitárias tentando motivar consumidores, disseram cientistas na terça-feira, 22.

 

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Eles descobriram como interpretar em "tempo real" imagens do cérebro para mostrar se as pessoas que estavam assistindo a uma mensagem sobre o uso de protetor solar iriam mesmo usar o protetor uma semana mais tarde.

 

As imagens foram mais precisas que os próprios voluntários, informam Emily Falk e colegas da Universidade da Califórnia em Los Angeles, no Journal of Neuroscience. "Estamos tentando descobrir se há uma sabedoria oculta contida no cérebro", disse Falk.

 

"Muitas pessoas 'decidem' fazer coisas, mas não as fazem", disse, em nota, o líder do experimento, o psicólogo Matthew Lieberman.

 

Mas com a imagem por ressonância magnética funcional, ou fMRI, Falk e seus colegas conseguiram ver além das boas intenções e prever o comportamento.

 

FMRI usa um campo magnético para medir o fluxo de sangue no cérebro. Ela pode mostrar quais regiões do cérebro são mais ativas em comparação com outras, mas requer cuidadosa interpretação.

 

A equipe de Falk recrutou 20 jovens, de ambos os sexos, para o experimento. Enquanto o sensor de fMRI fazia seu trabalho, eles leram e ouviram mensagens sobre o uso de protetor solar, juntamente com outras mensagens, para que não deduzissem o tema do experimento.

 

"No primeiro dia do experimento, antes da sessão de fMRI, cada participante indicou qual havia sido seu uso de protetor solar na semana anterior, suas intenções quanto ao uso na semana seguinte e suas opiniões sobre protetor solar", escreveram os pesquisadores.

 

Depois de ver as mensagens, os participantes responderam a mais perguntas sobre suas intenções futuras e receberam um pacote que brindes que incluía, entre outras coisas, protetor solar.

 

"Uma semana depois, fizemos um acompanhamento surpresa para descobrir quem havia usado o protetor", disse Falk.

 

Cerca de metade dos voluntários havia previsto corretamente o uso de protetor. A equipe de cientistas analisou as imagens do fMRI para ver se conseguia encontrar algum indício no cérebro que permitisse fazer uma previsão melhor.

 

A atividade em uma área do cérebro, uma parte do córtex pré-frontal medial, foi a melhor fonte de informação.

 

"A partir dessa região do cérebro, podemos prever, para cerca de três quartos das pessoas, se elas vão aumentar seu uso de protetor solar para além do que haviam dito", disse Lieberman.

 

"Esta é a região do córtex pré-frontal que sabemos ser desproporcionalmente maior nos humanos que nos outros primatas", acrescentou. "Esta região é associada à consciência de si mesmo, e parece ser crítica para o pensamento a respeito de si mesmo e do pensamento a respeito de preferências e valores".

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