Shell da Vila Carioca recebe nova multa da Cetesb

A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) multou hoje a Shell do Brasil em R$ 195.300,00 por não ter apresentado a avaliação da contaminação do entorno das instalações da empresa na Vila Carioca, zona sul de São Paulo. Segundo João Antônio Romano, gerente regional da Bacia do Alto Tietê da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, a empresa vêm cumprindo algumas das etapas das exigências do órgão ambiental, ?mas o laudo das investigações de solo e águas subterrâneas em um raio de um quilômetro deveria ter sido entregue num prazo de seis meses, o que não aconteceu?.A contaminação na Vila Carioca foi denunciada em abril passado, quando foi constatada a presença na área de substâncias como benzeno, tolueno, xileno, etilbenzeno e chumbo orgânico, confirmado por laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que deram origem à Ação Civil Pública contra a empresa. Além da contaminação nos depósitos de combustíveis, foi constatada a presença de poluentes orgânicos persistentes (POPs) em instalações contíguas à Shell, na área onde funcionou, até 1978, a fábrica de agrotóxicos do grupo, que foi transferida para Paulínia. As substâncias encontradas foram isodrin e aldrin, substâncias extremamente tóxicas, altamente persistentes no ambiente e bioacumulativas. Em junho passado, a Shell já havia sido multada em R$ 105 mil, por contaminação das águas subterrâneas na Vila Carioca, depois que análises de laboratório feitas pela Cetesb indicaram a presença de dieldrin em poços de abastecimento do condomínio Auriverde, vizinho da empresa. ?Temos indícios de contaminação também nas casas da Rua Colorado, cujos quintais dão fundos para a Shell. Por conta disso, exigimos monitoramento de 70 pontos, da Avenida Carioca até o Córrego dos Meninos e o Rio Tamanduateí. Em cada um desses pontos, deve haver um poço para análise de águas subterrânea e três níveis de coleta de solo: superficial, a 30 centímetros do solo e a 60 centímetros do solo. Somente com estes dados poderemos saber a extensão da contaminação e poder estabelecer medidas de intervenção para a remediação do passivo ambiental da empresa?, explica Romano. Além da multa, a Cetesb concedeu um prazo de 30 dias para a Shell concluir os laudos e estudos de avaliação de risco. Com isso, poderão ser indicadas áreas de isolamento ou de contenção de contaminação.A Shell Brasil confima que tomou conhecimento do auto de infração lavrado pela Cetesb e que deverá recorrer da multa.

Agencia Estado,

11 de março de 2003 | 16h57

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.