Shell multada por vazamento ocorrido em 1999

A empresa Shell foi multada em R$ 53 mil por ter demorado dois anos para comunicar à Companhia de Tecnologia de Saneamento ambiental (Cetesb) a contaminação do solo e do lençol freático de uma área de quatro mil metros quadrados, em Limeira. O local foi atingido por vazamento de óleo diesel de um dos tanques do posto de combustíveis que funcionava no terreno, com bandeira da Shell. A empresa verificou o vazamento em março de 1999. Funcionários do posto alertaram que o nível de óleo diesel no tanque diminuía sem que o material tivesse sido utilizado. Laudos emitidos pela Geoclock, contratada para avaliar o terreno, confirmaram a contaminação. O posto foi comprado pela Shell e fechado. Em janeiro de 2000, a empresa verificou que a poluição havia se espalhado e atingido dois poços artesianos, que pertencem a uma chácara e a um supermercado, vizinhos do antigo posto, na Rodovia Limeira-Piracicaba. A Cetesb informou que a água dos dois poços era usada somente para higienização. Ainda segundo a Cetesb, os proprietários dos poços foram avisados sobre a contaminação. Alexandre Benedito Pessat, que teve seu poço comprometido, nega a notificação. Ele é proprietário de uma pequena fábrica de suco de laranja e usava a água para lavar embalagens. O empresário contou que percebeu problemas no poço porque, ao aplicar hipoclorito na água para higienizar os recipientes, o líquido ficava rapidamente escuro, além do forte odor de combustível que exalava. "Parei de usar porque vi que tinha alguma coisa errada, e não posso comprometer minha produção. Mas nunca fui avisado sobre a contaminação", afirmou.Pessat comentou que não usa a água há cerca de dois anos. Substituiu-a pela de outro poço, não contaminado, e pela rede pública de abastecimento. "Tive prejuízo", afirmou, sem falar em valores. O empresário disse, no entanto, que não pretende acionar a Shell. "Isso é coisa pra Cetesb resolver", alegou, dizendo que espera poder usar novamente a água do mais produtivo poço de sua propriedade."Todo dano ambiental pode ser reparado", disse Pessat. O gerente da Cetesb de Limeira, Adilson Rossi, informou que a empresa tem até o dia 27 deste mês para apresentar um projeto de remediação da área afetada. A Cetesb também exigiu que medidas emergenciais fossem adotadas, basicamente o bombeamento da pluma de contaminação. De acordo com Rossi, a Shell instalou 19 pontos de monitoramento na região atingida. O gerente garantiu que, com exceção dos usuários dos dois poços, os moradores não precisam temer a contaminação porque usam água da rede pública, sem contato com o lençol freático. Ele acrescentou que não há nenhuma nascente no local usada por moradores. Rossi disse que a contaminação é localizada.A Shell informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que desde o início vem tomando providências necessárias para evitar que a contaminação se espalhe. Alegou que não comunicou o caso antes à Cetesb porque a poluição estava sendo investigada e, quando ocorreu, o posto pertencia a outro proprietário.

Agencia Estado,

14 de junho de 2002 | 18h43

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