Siderúrgica venderá de créditos de carbono

A siderúrgica V&M do Brasil, subsidiária do grupo Vallourec & Mannesmann Tubes, anunciou ontem a assinatura do maior acordo comercial de Dióxido de Carbono Equivalente (Co2eq), inserido no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto. A transação, conforme informou o presidente da companhia, Marco Antônio Castello Branco, implica em uma carta de intenções com o IFC Netherlands Carbon Facility (INCaF). Este órgão, por sua vez, representa um acordo pelo qual o IFC, braço financeiro do Banco Mundial (Bird) irá comprar reduções de emissão de gases causadores do efeito estufa para benefício do governo da Holanda. O país é um dos signatários do Protocolo que terá que cumprir metas de redução de emissão de gases na atmosfera, de forma a evitar os efeitos do aquecimento global. A V&M irá vender ao INCaF, 5 milhões de toneladas de CO2eq, por 15 milhões de euros. Além disso, será assinado um outro contrato para a comercialização de 400 mil toneladas do produto com a Toyota Tsusho Corporation, uma das 25 empresas que compõem o grupo Toyota que se dedica a desenvolver ações na área de mudança climática. O projeto foi elaborado pela EcoSecurities, com sede em Londres e especializada na consultoria empresarial em Gases Causadores de Efeito Estufa (GHG). A solenidade de assinatura do acordo será realizada hoje, às 19 horas, no Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro. Estarão presentes o governador Aécio Neves (PSDB), a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, representantes das empresas participantes e dos governos da Holanda e Japão. Manutenção de florestasA V&M do Brasil foi procurada a participar deste acordo por ser a única empresa que tem a produção totalmente "neutra ", no que se refere à emissão de carbono. Ao contrário de outras grandes siderúrgicas, a companhia não utiliza o coque e sim o carvão vegetal na produção de aço, produzido em florestas plantadas da própria empresa. "Somos grandes emissores de CO2, mas ao mesmo tempo estas emissões são capturadas pelas nossas florestas e, dessa forma, temos superávit nos chamados CO2eq", diz Marco Antônio Castello Branco, presidente da V&M do Brasil. Os CO2eq serão transformados em certificados de emissões e transferidos aos países industrializados. O acordo assinado entre a V&M do Brasil e o INCaF irá demandar investimentos da ordem de US$ 50 milhões, para assegurar o fornecimento de carvão vegetal na produção de aço em larga escala, permitindo a redução de 21 milhões de toneladas de CO2eq na atmosfera durante os próximos 21 anos, o que significa 1 milhão de toneladas de CO2eq/ano. A siderúrgica já negociou com o INCaF 500 mil toneladas do produto por 10 anos, ou 500 mil toneladas/ano. O maior ganho do projeto para a V&M do Brasil, conforme ressaltou Castello Branco, é que as vendas de créditos de emissão de CO2 irão compensar os gastos para a manutenção das florestas. "Hoje temos um custo de US$ 3,5 milhões a US$ 4,5 milhões/ano para a manutenção das florestas que serão compensadas com as emissões de créditos. A empresa produz atualmente 600 mil toneladas de aço/ano, dos quais de 450 mil a 470 mil toneladas são de tubos sem costura. A empresa produz também 300 mil toneladas de carvão vegetal, que abastece 100% da demanda dos altos fornos. São 140 mil hectares de florestas plantadas e outros 230 mil hectares de propriedades. Todo o projeto possui aval do governo brasileiro, através dos Ministérios de Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia.

Agencia Estado,

04 de fevereiro de 2003 | 09h49

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