Sikhs malaios vão à Justiça para usar a palavra Alá

Batalha legal, ao lado de cristãos, contra uma ordem do governo que proíbe não muçulmanos de usar a palavra

AP

04 de julho de 2008 | 16h55

Um grupo Sikh na Malásia, país de maioria muçulmana, está pedindo o direito de usar a palavra Alá como sinônimo de Deus e iniciou uma batalha legal, ao lado dos cristãos, contra uma ordem governamental que proíbe não muçulmanos de usar a palavra, disse um representante nesta sexta-feira, 4.   O conselho malaio dos Gurdwara preencheu um requerimento na Alta Corte de Kuala Lumpur na quinta-feira, 3, para se juntar a um processo do The Herald, jornal católico romano, contra o governo sobre o uso da palavra Alá, disse o presidente do conselho, Sardar Jagir Singh.   O ministério já tinha advertido o jornal para não usar a palavra Alá em sua publicação como uma tradução de Deus, dizendo que usar a palavra iria confundir os muçulmanos. O Herald então entrou com um processo, dizendo que tinha o direito de usar a palavra.   Jagir disse que o seu conselho, representando mais de 100 mil sikhs, queria se juntar ao processo porque a ordem estava afetando seu grupo. A palavra Alá aparece em "diversas ocasiões" no livro sagrado dos sikh, Guru Granth Sahib, disse. "Nenhuma palavra pode ser alterada. É o nosso livro mais sagrado... Isso vai significar que nós não poderemos praticar nosso religião."   Jagir disse que até agora não recebeu uma data da corte. Estão agendadas para a próxima quarta-feira, 9, audiências com várias instituições islâmicas que se inscreveram para intervir no processo, para defender a proibição.   O Herald - que publica em inglês, malaio, mandarim e tâmil - disse que Alá é uma palavra arábica que antecede o islã e tem sido usada por séculos como sinônimo de Deus em malaio.   O governo não explicou como o uso de Alá por outras religiões pode confundir os muçulmanos, mas aparentemente pretende firmar uma distinção entre o deus islâmico e qualquer outro.   O caso é um exemplo de crescentes reclamações das minorias religiosas da Malásia de que seus direitos têm sido prejudicados por esforços do governo para aumentar o status do islã no país.

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