Sipam mostra aumento de desmatamento na Amazônia

Um estudo divulgado nesta sexta-feira pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) apontou um aumento de quase 16% na área desmatada no sul do Estado do Amazonas no ano passado em relação a 2003. Segundo o levantamento, a área desmatada em 2004 foi de 8.238 quilômetros quadrados, enquanto que em 2003 era de 6.926 quilômetros quadrados. Os mapas do Sipam foram feitos por meio de imagens do satélite Landsat 5. As imagens têm a mesma resolução usada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de 30 metros. O que o Sipam usou a mais foram as imagens geradas pelo satélite CCD/CBRS, com resolução de 20 metros, e imagens captadas por um sensor SAR, instalado em um avião, com resolução de seis metros. Há um mês, mapas divulgados pelo Inpe mostravam que o Amazonas é o Estado menos desmatado da região norte.Por conta do diferencial, o levantamento feito pelo Sipam vai além dos mapas dos satélites do Inpe separando por municípios as áreas desmatadas. Os doze municípios do Sul do Amazonas mais desmatados são Lábrea, Boca do Acre, Canutama, Humaitá, Manicoré, Novo Aripuanã, Apuí, Guajará, Ipixuna, Eirunepé, Envira e Pauni.Segundo o diretor-executivo do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), Edgar Fagundes Filho, além das imagens a mais, o que explica as diferenças nos números do desmatamento do Inpe e Sipam é que este último contou também as áreas de savana. O Inpe apontou que, até agosto de 2004, foram desmatados 1.054 quilômetros quadrados no Amazonas.Embora Lábrea seja o município mais desmatado, assim como os dados do Inpe, os dados do Sipam apontaram que os que mais cresceram em área desmatada de 2003 para 2004 foram Canutama (36,55%) e Humaitá (34,52%).Um outro quadro mostra o desmatamento em relação à área do município. Guajará, a 1645 quilômetros de Manaus, traz o recorde de ter quase 70% de sua área desmatada.De acordo com Edgar Fagundes Filho, o estudo será apresentado para os prefeitos dos municípios desmatados e para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). "Estamos fazendo o mesmo tipo de mapeamento para o sul do Pará, na Terra do Meio. Esses levantamentos individualizados servem para dar subsídios aos prefeitos e às ações de fiscalização", defende o diretor.

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