Sistema imunológico de criança autista é diferente

Os elementos do sistema imunológico, as proteínas e metabólitos das crianças autistas são diferentes das crianças que não têm o problema, segundo um estudo divulgado por pesquisadores do Instituto de Pesquisas de Transtornos do Desenvolvimento Neurológico da Universidade da Califórnia.Em apresentação na 4.ª Reunião sobre Pesquisas do Autismo, os pesquisadores disseram que sua descoberta pode ajudar a desenvolver um exame de sangue que permitiria a detecção do autismo em recém-nascidos, além de levar a novos tratamentos e até à prevenção da doença.Hoje o diagnóstico da doença, feito através de observações da conduta, só é confiável quando a criança chega aos 2 ou 3 anos de idade. O autismo se manifesta em uma tendência psicológica ao desinteresse pelo mundo exterior. Os pesquisadores descobriram as diferenças no sistema imunológico através de amostras de sangue de 70 crianças, de 4 a 6 anos e com autismo, que foram comparadas a amostras de outras 35 crianças que não tinham o problema.As amostras foram analisadas através de uma tecnologia que permite identificar as diferenças no número e tipo de células imunológicas,proteínas, peptídios e metabólitos.Oportunidade de tratamento"Encontrar um marcador biológico sensível e preciso do autismo, que possa se revelar através de um simples exame de sangue, teria grandes implicações no diagnóstico, tratamento e compreensão das causas do autismo", disse David Amaral, diretor do instituto e um dos autores do estudo.Amaral acrescentou que a impossibilidade de detectar o autismo até a criança fazer 3 anos elimina uma grande oportunidade de tratamento nos primeiros anos de vida, quando o cérebro está em um processo de intenso desenvolvimento.Os cientistas disseram que será preciso muitos meses para terminar uma avaliação total da informação conseguida através do sistema. No entanto, as primeiras conclusões mostram claramente as diferenças tanto no sistema imunológico como nas proteínas e nos metabólitos das crianças com autismo.Segundo os cientistas, será preciso fazer outros estudos, com um número maior de crianças, para confirmar as descobertas.Segundo fontes da reunião, nas últimas décadas houve um aumento alarmante da incidência do autismo. Nos Estados Unidos, a doença atinge uma em cada 166 crianças.

Agencia Estado,

06 de maio de 2005 | 10h20

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