Situações climáticas extremas acentuam-se e tendem a piorar

O mundo vem enfrentando nas últimas décadas incomuns situações climáticas extremas e as perdas econômicas em virtude de tempestades e outras catástrofes naturais multiplicam-se acentuadamente, revelou nesta quinta-feira um grupo independente de pesquisas científicas.O Conselho Mundial da Água informou que temporadas de chuvas mais intensas, de secas mais extensas, tempestades mais fortes e elevação do nível do mar ajudaram a causar um número crescente de desastrosas secas e enchentes.O aquecimento global está causando mudanças drásticas nospadrões climáticos na medida em que o crescimento da população e a migração para áreas vulneráveis aumentam os custos de cada desastre, disse William Cosgrove, vice-presidente do Conselho Mundial da Água."A previsão é de que a situação continuará piorando a não ser que comecemos a adotar ações para combater o aquecimento global", disse ele.Entre 1971 e 1995, informa o grupo, enchentes afetaram mais de 1,5 bilhão de pessoas em todo o mundo, ou 100 milhões de pessoas por ano. Mais de 310.000 pessoas morreram devido a enchentes e mais de 81 milhões ficaram desabrigadas, prossegue.Os números foram extraídos de pesquisas feitas por cientistas do grupo Diálogo sobre Água e Clima, assim como de documentos de pesquisadores e de outros grupos.Os dados completos serão apresentados em detalhes no Fórum Mundial da Água, previsto para o mês que vem em Kyoto, Japão, onde foi discutido o protocolo de combate às mudanças climáticas rejeitado pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.O grupo citou especialistas em clima para prever que asmudanças neste século causarão temporadas de chuva mais curtas e mais intensas em algumas áreas e secas mais longas em outras, o que deve ameaçar as plantações e as espécies animais e causar redução na produção mundial de alimentos.O aumento do nível do mar é uma séria ameaça a pequenas nações insulares, a países baixos como Bangladesh e Holanda e a grandes cidades como Nova York, Tóquio, Buenos Aires e Lagos. Os cientistas calculam que o nível do mar deverá subir quase meio metro entre 1990 e 2100.

Agencia Estado,

27 de fevereiro de 2003 | 17h46

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