Sivam vai monitorar desmatamento em tempo real

A exemplo do controle das queimadas, o governo quer iniciar ainda neste primeiro semestre um monitoramento em tempo real dos desmatamentos na Amazônia. A fiscalização será reforçada com a entrada em funcionamento do chamado "Sivam ambiental". A área ambiental aproveitará a estrutura do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) para conferir onde estão ocorrendo cortes da floresta.Hoje, os desmatamentos na região são fiscalizados por amostragem pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e constatados pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe), a partir de imagens de satélites. No entanto, o ?relatório do Inpe é um retrato do passado", conforme o ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho.Essa pesquisa do Inpe é importante, na opinião da secretária da Amazônia, Mary Alegretti, para se obter uma visão do conjunto e definir medidas a longo prazo. Mas além da série histórica, os órgãos ambientais necessitam de informações sobre a dinâmica do desmatamento para antecipar o dano ambiental. E, neste caso, os dados do Inpe chegam com atraso.Nesta segunda-feira, por exemplo, o Inpe divulgou projeção de redução em 13% do desmatamento na Amazônia, entre agosto de 2000 e agosto de 2001. Mary recebeu a estimativa com cautela. Dados preliminares apontam para uma redução de 8% no Mato Grosso, mas crescimento de mais de 30% no Pará. Além disso, a estimativa do Inpe feita para 1999/2000 teve margem de erro de 8,8% em relação ao resultado confirmado de desmatamento de uma área de 18.226 quilômetros quadrados.A secretária da Amazônia ainda questiona a projeção para Mato Grosso. Ela garante que os cortes de árvores em 2001 foram menores do que os constatados pelo Inpe, que irá checar seus dados a pedido do governo. Nesse Estado, vem sendo feito licenciamento de propriedade rural a partir de imagens de satélites, enquanto no restante do País se considera a descrição dada pelo proprietário.A imagem de satélite da propriedade permite verificar o que já foi desmatado, as áreas protegidas e as que podem ser utilizadas. A cada ano, os dados são atualizados. O modelo será copiado no Pará, onde a fiscalização vem utilizando aviões equipados com sistema de localização por satélite (GPS) para detectar desmatamentos. O projeto de licenciamento conta com recursos externos.Mas as outras ações de combate ao desmatamento não têm verbas asseguradas, após o corte orçamentário anunciado pelo governo para compensar as perdas de receita com a CPMF. Para Mary, a falta de dinheiro em ano eleitoral representa risco real de nova explosão dos desmatamentos na Amazônia. ?Políticos prometem dar lotes para ganhar votos.? E, sem dinheiro, a fiscalização diminuirá.

Agencia Estado,

11 de junho de 2002 | 18h48

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