Só 1/3 dos centros para idosos está em ordem

Maioria das instituições de referência para a saúde das pessoas com mais de 60 anos no País sofre com a falta de profissionais especializados

Fabiane Leite, enviada especial Belo Horizonte, O Estado de S.Paulo

30 Julho 2010 | 00h00

Estudo concluído no fim de 2009 pelo Ministério da Saúde aponta que, dos 150 centros de referência para a saúde do idoso existentes no País, apenas 50 estão nos moldes preconizados pela pasta.

Segundo Luiza Maia, coordenadora de Saúde do Idoso do ministério, a principal limitação dos centros, cuja criação foi induzida por uma portaria de 2002, é a falta de profissionais capacitados, entre médicos geriatras e gerontologistas (profissionais de diversas áreas habilitados para as questões do idoso).

A situação é mais grave no Norte e no Nordeste, onde a pasta decidiu capacitar 500 profissionais. Atualmente, 70% dos idosos no País - cerca de 14 milhões de pessoas - dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) e 25% deles têm problemas importantes de saúde ou estão acamados.

"Precisamos de pessoal bem formado, que não veja as questões de saúde do idoso como algo normal, coisa da velhice", disse Luiza durante o 17.º Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, em Belo Horizonte.

A pasta promete modificar a política para que os centros, criados para assistir principalmente vítimas de demências, recebam todos os idosos fragilizados - por exemplo, portadores de múltiplos problemas de saúde.

Além disso, destacou Luiza, é preciso que os centros estejam integrados à rede de saúde. A maioria deles, diz ela, é ligada a universidades e a seus hospitais, muitos deles fechados para o atendimento amplo. A responsabilidade da instalação e manutenção dos centros é de Estados e municípios.

Diante do envelhecimento acelerado da população, Luiza defendeu que a área tenha tanta importância no SUS quanto as ações contra a aids. "Todos os Estados brasileiros têm 7% de população idosa", destacou.

Carência. O presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, João Carlos Barbosa Machado, defendeu que as principais especialidade médicas se capacitem para assistir o grupo etário, principalmente as pessoas com restrições físicas.

Hoje, 26% da população brasileira tem até 14 anos e só 6,6% possui 65 anos ou mais. Em 2050, idosos serão 22,7% e adolescentes, 13,1%, segundo o IBGE. No Brasil, 72% dos idosos têm alguma dificuldade para realizar tarefas e 15% têm limitações para coisas básicas, como comer e ir ao banheiro. "Se fôssemos atender só os mais frágeis, considerando o padrão da Organização Mundial da Saúde de 1 geriatra para cada 563 idosos, necessitaríamos de 5 mil a 8 mil, disse Machado. Atualmente existem em torno de 900 geriatras e 290 gerontologistas.

Segundo Machado, há desinteresse de estudantes de medicina por causa da ausência da disciplina, não obrigatória, nos currículos. "Todos os médicos vão lidar com idosos, exceto a pediatria. Um obstetra, se errar em um procedimento, pode causar à mulher a incontinência urinária que ela terá quando envelhecer."

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