Só 3 entre 10 paulistas se protegem do sol

Numa época em que quase todo mundo está na praia ou a caminho dela, surge uma notícia perturbadora: de cada dez paulistas, só três se protegem do sol. ?O dado é alarmante. Significa que muita gente está correndo risco de ter um tipo de câncer que é totalmente evitável?, afirma o dermatologista Marcus Maia, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). ?O câncer de pele só existe porque as pessoas não se protegem da exposição solar.?Esse número preocupante faz parte dos resultados preliminares, para o Estado de São Paulo, da 7.ª Campanha de Prevenção ao Câncer de Pele, da SBD. No dia 10 de dezembro, 40 mil brasileiros passaram por consultas gratuitas em 160 postos.São Paulo, que comportou um terço do total - 13.420 foram atendidos em 35 lugares - foi o primeiro Estado a concluir os dados. Detalhe importante: as campanhas públicas para explicar a necessidade do uso de filtros solares existem desde 1998.PreçoEntre as razões da resistência, um mea-culpa. ?Não fomos competentes ainda para convencer a população. Mas entre os principais motivos está o preço?, conta Maia. ?A indicação é passar no mínimo 40 ml no corpo. A aplicação deve se repetir a cada duas horas ou depois de cada vez que a pessoa se molhar.?Uma embalagem-padrão de protetor solar fator 15, o mínimo recomendado pelos médicos, tem 200 ml e custa cerca de R$ 20. Significa que essa embalagem não dura mais de um fim de semana para quem incluir no banho de sol duas puladinhas diárias na água.Os dermatologistas, porém, agradecem qualquer tipo de proteção. ?Evitar os horários de pico (das 9 às 15 horas) é uma medida de proteção gratuita e já ajuda?, diz Maia.É o que faz a empresária Malu Abib, de 32 anos. ?Depois que me queimei a ponto de ir parar no hospital, passei a evitar o horário do sol forte?, afirma. ?Detesto me lambuzar com protetor. O meu não sai da gaveta.?É no horário de pico que os raios UVB, os mais nocivos, aparecem em maior quantidade.1.288 com câncerOutros números da SBD revelam que 1.288 entrevistados têm câncer de pele. Desses, 95 têm melanoma, o tipo mais agressivo, aquele com capacidade de dar metástase, ou seja, de o câncer se espalhar.Quando a origem é o câncer de pele, os órgãos mais atingidos são pulmão, fígado e ossos. Já os chamados não-melanomas têm ação local na pele.Segundo o Instituto Nacional de Câncer, a previsão para 2006 é de 122 mil novos casos. O câncer de pele é o de maior incidência entre todos.Protetor grátisEm 2006, a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo vai distribuir pela primeira vez protetor solar. Serão 300 mil embalagens até o fim do ano para quem tem câncer de pele.O câncer é causado principalmente pelos raios UVB, mais intensos das 9 às 15 horas. A radiação é formada tanto por UVB como por UVA. Os UVB penetram até a epiderme, modificando as estruturas das células, o que dá origem ao câncer.Já os UVA penetram mais profundamente e são os principais responsáveis pelo envelhecimento. Os UVA têm capacidade de destruir as células de proteção da pele, diminuindo sua imunidade, além de desestruturar as fibras de colágeno, que sustentam a pele, acelerando o envelhecimento.

Agencia Estado,

28 de dezembro de 2005 | 09h34

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