Divulgação/Nasa
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Sob críticas de astronautas da Apollo, Obama reforma programa espacial

Presidente decide retomar construção da cápsula Órion e dar prazo para novo foguete

Associated Press

14 Abril 2010 | 14h38

O presidente dos EUA, Barack Obama, está ressuscitando o conceito cancelado de uma nova cápsula de astronautas que seria criada pela Nasa, a Órion. A retomada do conceito, que havia cancelado juntamente com todo o programa de volta à Lua no início do ano, significa que menos empregos serão perdidos e que os EUIA dependerão menos da Rússia para realizar voos espaciais, disseram autoridades.

 

A cápsula não irá para a Lua, no entanto. Ela será usada como uma espécie de "bote de emergência" na Estação Espacial Internacional (ISS). Autoridades também disseram que a Nasa deve acelerar a construção de um novo foguete capaz de arremessar carga e astronautas para além da órbita da Terra, embora o destino final ainda não tenha sido escolhido.

 

Este foguete deverá ficar pronto muitos anos antes do previsto no antigo programa lunar.

As duas decisões estão sendo anunciadas antes da visita de Obama à Nasa, prevista para quinta-feira, 15. Elas têm o objetivo de se contrapor às críticas de que o programa espacial anunciado por Obama é muito vago e ameaça empregos.

 

O primeiro homem a pisar na Lua, Neil Armstrong, vem criticando a versão do programa espacial de Obama divulgada no início do ano, considerando-a a morte da liderança americana no espaço.

 

Armstrong disse ver "com muita reserva" o plano, e que mais de 20 veteranos do Programa Apollo, que levou astronautas à Lua nos anos 60 e 70, assinaram uma carta declarando o plano "uma proposta infeliz que força a Nasa a abandonar as operações humanas no espaço pelo futuro previsível".

 

Mesmo com o renascimento da Órion, o plano de retorno à Lua elaborado durante o governo Bush continua morto. A Órion não será usada para pousos na Lua. Seu uso seria limitado a garantir que os astronautas americanos não dependam de naves russas Soyuz para voltar à Terra.

 

O novo plano de Obama também acelera o desenvolvimento de um foguete pesado, que seria capaz de impulsionar carga e astronautas a grandes distâncias no espaço.

 

Originalmente, Obama havia proposto apenas investir em programas de pesquisa para criar novas tecnologias que facilitassem viagens ao espaço. Críticos diziam que a iniciativa era muito vaga. Agora, o presidente compromete-se a escolher um design até 2015 e iniciar a construção imediatamente em seguida.

 

A mudança significa que o novo foguete estará pronto anos antes do que seria possível sob o programa de Bush, diz uma fonte da Nasa. No entanto, o veículo não será um foguete nos moldes do Ares V previsto pelo governo Bush, mas incorporará novas tecnologias, como a capacidade de reabastecimento em órbita, de acordo com autoridades.

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