Sobel defende Lancellotti: 'Ninguém é culpado por antecipação'

Em culto eucumênico para sua defesa, padre diz ter gravado conversas com preso que o extorquia

CAMILLA HADDAD,

11 de novembro de 2007 | 19h39

O padre Júlio Lancellotti foi homenageado neste domingo por aproximadamente 250 pessoas na Paróquia São Miguel Arcanjo, na Mooca, Zona Leste, onde foi realizado um ato em solidariedade ao sacerdote. Em um culto ecumênico que reuniu representantes de várias religiões, inclusive o rabino Henry Sobel, Lancellotti se emocionou e reafirmou sua inocência. O católico, com barba por fazer, manifestou sua preocupação de que as acusações contra ele cheguem ao que chamou de "guerra religiosa". Desde setembro, o padre passou a ser acusado por Anderson Marcos Batista, um ex-interno da Febem, de ter mantido relações sexuais com ele em troca de ajuda financeira. Em depoimento, o religioso disse à polícia que o ex-interno, que está preso, extorquiu dinheiro dele.   "Não podemos ter uma guerra religiosa. Nenhuma igreja deve usar isso para destruir outra. Quem pensa diferente de nós deve respeitar. Nós temos que respeitar os budistas, os muçulmanos, os judeus", disse Lancelottti, sem citar qualquer nome. Ele também reclamou que o trabalho social da Igreja Católica voltado aos pobres e excluídos também é alvo de perseguição.   "Se for verdade, a sociedade vai condená-lo', diz Sobel Durante o evento, católicos e até budistas presentes na paróquia cantaram a músicas bíblicas como "A Verdade o Libertará" e "Canção da América", de autoria de Milton Nascimento. Muitas crianças freqüentadoras das entidades às quais o padre atua o presentearam com rosas vermelhas e pássaros brancos feitos em origami (arte japonesa em dobrar papel).   Também esteve na paróquia o rabino Henry Sobel. Ele passou pelo local rapidamente, alegando ter um casamento marcado para o fim da tarde. Antes de ir embora, Sobel afirmou que o padre merece direito de defesa. "Ninguém é culpado por antecipação", diz. Minutos depois de sair do altar onde ocorreram os discursos , o rabino acrescentou. "Se for verdade as coisas que andam dizendo dele, (Lancellotti) é muito grave. A sociedade vai condená-lo e eu não serei exceção, mas ele ainda é inocente e merece compaixão". Lancellotti só falou no altar. Ele disse que estava emocionado e agradeceu a todos pelo apoio. O padre afirmou se sentir constrangido por causar sofrimento em pessoas que acompanham sua trajetória. "Eu sinto causar dor a essas pessoas como minha mãe, de 84 anos e a comunidade que me acompanha ao nos meus 22 anos de trabalho". Em relação as denúncias de extorsão, o padre lembrou ter gravado telefonemas feitos entre ele e o ex-interno da Febem, para provar para a polícia que era vítima de extorsão. "Nesses telefonemas eu me coloquei em risco pois se houvesse indício de corrupção de menores seria dito ali", disse. O padre ainda disse ter vivido uma experiência "difícil" e "dolorosa" ao ser acusado de inclusive abusar de um menor internado na Casa Vida II, entidade a qual ele foi um dos idealizadores. "Eu fui colocado nas primeiras páginas dos jornais como alguém que abusou de uma criança e tive um relacionamento com determinada pessoa sem ser verdade", criticou.

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