Software procura conciliar expansão urbana com agricultura viável

Itamar Miranda/AE 31/3/98 Guarapiranga: uma das regiões estudadas As áreas agrícolas em torno da capital estão cada vez mais pressionadas, seja pela expansão das cidades ou pelo aumento da demanda de água. Chegar a uma equação que evite que a agricultura se torne inviável nessas regiões e, ao mesmo tempo, seja vista como uma aliada do ambiente ? até para contribuir com a manutenção de mananciais para abastecimento da população urbana ? é um dos objetivos de uma equipe montada na Secretaria de Agricultura do Estado, dentro de um projeto que está em fase de desenvolvimento, com a participação de vários órgãos. Trata-se do Projeto Negowat (sigla resumida de ?negociação sobre água?, em inglês), financiado pela Comissão Européia (CE) sob a coordenação do Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad), da França. O Cirad desenvolveu uma metodologia denominada ?modelagem multi-agente?, que está sendo testada como instrumento para gestão participativa nos comitês de bacias hidrográficas. No Brasil, conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de SP e reúne, além da Secretaria de Agricultura, a Universidade de São Paulo, Universidade de Campinas, Instituto Internacional de Ecologia e Instituto Polis. Mananciais ? Inicialmente, duas regiões de manancial, com ocupação agrícola e urbana, serão alvo do projeto: as sub-bacias do Alto Tietê Cabeceiras (Mogi das Cruzes, Salesópolis, Biritiba-Mirim, Suzano, Guarulhos, Ferraz de Vasconcelos, Poá e Itaquaquecetuba) e do Guarapiranga (Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, parte dos municípios de São Paulo, de Cotia, de São Lourenço da Serra, de Juquitiba e de Embu das Artes). Segundo a pesquisadora do Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura, Yara Maria Chagas de Carvalho, coordenadora do grupo de desenvolvimento do Negowat no Brasil, o Cirad desenvolveu um software que será testado sob as condições dessas duas sub-bacias. ?O software será abastecido com dados dessas regiões?, explica. ?Estes dados virão de especialistas de várias disciplinas, como climatologistas, sanitaristas, urbanistas, agrônomos, sociólogos, economistas, etc., e também da população.? A partir desses dados, o software funcionará simulando o impacto de cada decisão tomada em uma determinada região, estimulando a reflexão e a negociação de soluções apropriadas que atendam aos diversos segmentos. Por exemplo, na Bacia do Guarapiranga a maior parte da horticultura é feita em várzeas, mas há uma legislação para a represa que está em fase de aprovação, que permitirá apenas agrossilvicultura em várzeas, isso para preservar os mananciais e evitar a falta de água. A situação está posta: a necessidade de os agricultores continuarem com sua atividade e a preservação de um recurso hídrico que abastece um centro urbano. Cada agente ligado ao processo exporá suas razões e também poderá se colocar no lugar de outro agente. É com os dados oriundos dessas situações e discussões, além dos estudos dos especialistas, que o software será abastecido para simular e expor várias situações, conforme a decisão tomada. No comitê de bacia, com representação paritária do Estado, municípios e sociedade civil, a simulação do impacto sobre a água da represa poderá ser avaliada, considerando as diferentes decisões tomadas. O projeto começou a ser desenvolvido em janeiro, primeiro com um reconhecimento das áreas a serem estudadas, depois com um levantamento bibliográfico sobre elas e o terceiro passo, que está começando agora, é a ida ao campo. ?O Polis está mapeando as organizações com as quais trabalharemos?, diz Yara, que prevê que, em quatro meses, os primeiros resultados poderão vir a público.

Agencia Estado,

30 de julho de 2003 | 09h32

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