Sol pode ser uma estrela migrante, dizem cientistas

Simulação mostra que o Sol poderia ter se formado em outro ponto da galáxia e ampliado sua órbita

da Redação,

17 de setembro de 2008 | 16h37

Simulações realizadas por uma equipe internacional de cientistas sugerem que estrelas como o Sol podem migrar por grandes distâncias. De acordo com os autores do trabalho, se o Sol se deslocou para longe de seu local de formação ao longo dos últimos 4 bilhões de anos, o fato poderia mudar por completo a idéia de que há regiões específicas da galáxia - a chamada zona habitável - onde a existência de vida é favorecida.    Assista a um vídeo da simulação (Universidade de Washington)   "Nossa idéia de zona habitável baseia-se, em parte, no conceito de que certos elementos químicos necessários para a vida estão disponíveis em alguns pontos do disco galáctico, mas não em outros", explica  Rok Roškar, astrônomo da Universidade de Washington. "Se as estrelas migram, a zona não pode ser estacionária". Roškar é o principal autor do artigo que descreve os resultados das simulações, publicados na revista Astrophysical Journal Letters.   Consumindo mais de 100 mil horas de tempo de computador, incluindo um supercomputador da Universidade do Texas, os cientistas criaram simulações da formação e evolução de um disco galáctico a partir de material que se condensou 4 bilhões de anos após o Big Bang.   A simulação começa com as condições de cerca de 9 bilhões de anos atrás, depois que o material do disco galáctico já havia se aglomerado, mas a formação do disco propriamente dito ainda não tivera início.   Cientistas previam que se uma estrela, durante sua órbita ao redor do centro da galáxia, fosse interceptada por um dos braços espirais da galáxia, ela entraria numa órbita mais errática, como um carro pode se descontrolar depois de uma colisão.   Mas as novas simulações mostram que a órbita de algumas estrelas poderia ampliar-se ou retrair-se, mas continuar circular, depois de atingir uma grande onda espiral. O Sol tem uma órbita quase circular, e os autores do trabalho sugerem que, quando se formou, há cerca de 4,6 bilhões de anos, ele poderia estar mais perto ou mais longe do centro galáctico, e não no meio do caminho entre o centro e a borda, como está hoje.   A migração poderia ajudar a explicar um antigo problema encontrado na composição química das estrelas vizinhas ao Sistema Solar, que é mais misturada e diluída do que seria de se esperar se as estrelas ficassem todas suas vidas na região de nascimento.

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