Sonda da Nasa buscará planetas semelhantes à Terra

A Kepler deve ser lançada da Base Aérea do Cabo Canaveral (Flórida) no dia 5, a bordo do foguete Delta 2

WILL DUNHAM, REUTERS

19 de fevereiro de 2009 | 20h50

Uma sonda da Nasa que leva a maior câmera já enviada ao espaço será lançada no próximo mês para vasculhar nosso trecho da Via Láctea em busca de planetas rochosos e quentes como a Terra, teoricamente capazes de abrigar vida, disse a Nasa na quinta-feira. A sonda Kepler deve passar três anos e meio examinando mais de 100 mil estrelas semelhantes ao nosso Sol, em busca de sinais de planetas de tamanho e composição parecidas com os da Terra. A Kepler deve ser lançada da Base Aérea do Cabo Canaveral (Flórida) no dia 5, a bordo do foguete Delta 2, segundo a Nasa. A sonda foi fabricada pela Ball Aerospace and Technologies, do Colorado, uma subsidiária da Bell Corp.. "A Kepler empurrará as fronteiras do desconhecido no nosso pedaço da galáxia Via Láctea. E suas descobertas podem alterar fundamentalmente a visão que a humanidade tem de si própria", disse a jornalistas Jon Morse, diretor da divisão de astrofísica da Nasa. Cerca de 300 planetas foram descobertos desde 1995 orbitando estrelas que não o Sol, mas a maioria são gasosos, com improváveis condições para o surgimento de vida. A nova missão se concentrará na busca por planetas rochosos orbitando a chamada "zona habitável" das estrelas, onde não ficam nem perto demais para esturricarem, nem longe demais para se congelarem. "O que nos interessa é encontrar planetas que não sejam quentes demais nem frios demais, (e sim) onde a temperatura seja correta para que haja água líquida na superfície do planeta", disse William Borucki, do Centro de Pesquisas Ames, da Nasa, na Califórnia. A água é considerada um ingrediente essencial para a vida tal qual a conhecemos. Borucki estimou que a sonda Kepler possa detectar talvez 50 desses planetas, mas não há nada garantido. "Se encontrarmos tantos, certamente significará que a vida pode ser bem comum por toda a nossa galáxia - que há uma oportunidade para que a vida tenha um lugar para evoluir." Mas, se nenhum ou poucos planetas forem descobertos, isso pode indicar que planetas hospitaleiros como a Terra são muito raros, e que a Terra pode ser um solitário reduto de vida, acrescentou Borucki.

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