Sonda da Nasa faz primeiro mapa da fronteira do Sistema Solar

Satélite Ibex descobre características da bolha protetora do Sol que os cientistas não haviam previsto

estadao.com.br,

16 Outubro 2009 | 16h53

Dados colhidos ao longo de seis meses pela sonda Explorador da Fronteira Solar ("Ibex", na sigla em inglês), da Nasa, permitiram que cientistas elaborassem o primeiro mapa dos limites do Sistema Solar, descobrindo uma faixa de átomos de alta energia junto à heliopausa - a  região onde a influência do Sol começa a ceder lugar à do restante da galáxia - que não havia sido prevista por modelos teóricos.

 

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O mapa foi produzido com observações feitas por dois detectores montados na sonda. Esses aparelhos contaram a e mediram partículas chamadas de átomos energéticos neutros, os AEN.

 

Esses átomos são criados na área do Sistema Solar conhecida como região da fronteira interestelar. É nessa região que as partículas dotadas de carga elétrica emitidas pelo Sol, o chamado vento solar, fluem para além da órbita dos planetas e colidem com o material que existe no espaço entre as estrelas.

 

O Sol em sua órbita ao redor do centro da galáxia, com a heliosfera abrindo caminho. Ilustração: Nasa

 

Os átomos energéticos neutros viajam na direção do Sol a partir do espaço interestelar a velocidades de 150.000 km/h a mais de 3,6 milhões de km/h. A fronteira interestelar não emite luz que possa ser coletada por telescópios comuns.

 

O novo mapa revela a região que separa o meio interestelar local - gás e poeira que flutuam no espaço para além da influência do Sol -, da heliosfera, uma bolha produzida pelo Sol que protege o Sistema Solar dos raios cósmicos mais perigosos.

 

"Pela primeira vez, estamos pondo a cabeça para fora da atmosfera do Sol e começando a entender a nossa posição na galáxia", disse o principal cientista da Ibex, David J. McComas. "Os resultados são notáveis, com uma faixa estreita de emissões que não se parece com nenhum dos modelos teóricos atuais da região".

 

Os pesquisadores envolvidos na análise dos dados da Ibex agora teorizam que a faixa pode ter sido criada pelo campo magnético da galáxia, cujas linhas de força envolvem a heliosfera, e seria uma prova de que a atividade na vizinhança galáctica é capaz de deixar marcas na superfície da bolha protetora do Sistema Solar. A atividade na faixa é de duas a três vezes maior que no restante da heliosfera.

 

Mapa feito pela Ibex, em projeção 3D e com o campo magnético interestelar. Nasa

 

O mapa da Ibex ajuda a pôr dados levantados pelas sondas Voyager, da Nasa, em contexto. As duas naves Voyager, lançadas em 1977, viajaram pelo Sistema Solar para explorar os planetas gigantes: Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.

 

Em 2007, a Voyager 2 seguiu a Voyager 1 para o interior da fronteira interestelar. Ambas as sondas encontram-se, agora, no meio da região onde os AENs se originam.  Os dados da Ibex revelaram a faixa energética que as duas Voyagers falharam em detectar.

 

A Ibex foi lançada em outubro do ano passado. Seu objetivo científico é descobrir a natureza das interações entre o vento solar e o meio interestelar.

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