Sonda da Nasa revela 'cordilheiras' nos anéis de Saturno

Nas novas imagens, partículas parecem acumular-se em formações verticais em todos os anéis

21 Setembro 2009 | 17h00

Os cientistas da Nasa estão maravilhados com a extensão das ondulações e nuvens de poeira nos anéis de Saturno durante o equinócio do planeta, registrado no mês passado. Astrônomos costumavam acreditar que os anéis eram perfeitamente planos,  mas novas imagens, divulgadas ao público nesta segunda-feira, 21, mostram que a altitude de algumas irregularidades recém-descobertas é comparável á das Montanhas Rochosas do oeste dos EUA.

 

Descobertos 'morros' nos anéis do planeta Saturno

 

"É como pôr óculos 3D e ver a terceira dimensão pela primeira vez", disse, em nota divulgada pela agência espacial, Bob Pappalardo, cientista do projeto Cassini. "É um dos eventos mais importantes que a sonda já nos mostrou".

 

Saturno visto no equinócio pela sonda Cassini, que revelou irregularidades nos anéis. Nasa

 

Em 11 de agosto, a luz do Sol atingiu diretamente a borda dos anéis de Saturno, causando um efeito óptico que fez com que eles praticamente desaparecessem. Isso ocorre duas vezes em cada órbita do planeta, que se completa em cerca de 11 mil dias, ou 30 anos terrestres. 

 

Na Terra, o equinócio de primavera (outono, para o hemisfério norte) ocorre nesta terça-feira, 22 de setembro, quando os raios do Sol brilham diretamente sobre o equador terrestre.

 

Durante cerca de uma semana, cientistas usaram a Cassini para observar elevações que se projetassem no brilho da iluminação paralela ao plano dos anéis. Os cientistas já sabiam  das projeções verticais, mas não eram capazes de medir diretamente a altitude e largura das ondulações sem a ajuda das sombras projetadas pelo equinócio.

 

"A maior surpresa foi enxergar tantos locais de relevo vertical acima e abaixo de anéis que, de resto, são finos como papel", disse Linda Spilker, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa.

Os blocos de gelo que compõem os anéis principais (chamados A,B, C e D, pela ordem em que foram descobertos) espalham-se por 140.000 quilômetros além do centro de Saturno,  mas acreditava-se ocupassem uma faixa de apenas 10 metros de espessura.

 

Nas novas imagens, partículas parecem acumular-se em formações verticais em todos os anéis. Ondulações corrugadas - que a Cassini já tinha visto estenderem-se por mais de 800 km no anel D - parecem ondular um total de 17.000 km pelos anéis C e B.

 

A altitude de algumas das protuberâncias descobertas são comparáveis à elevação de cordilheiras na Terra. Uma onda de partículas de gelo, criada pela atração gravitacional da lua Dafne, chega a 4 km de altitude.

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